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ago
06

Esta deliciosa fábula narra a emocionante viagem de Aalis, a jovem heroína, e sua descoberta do verdadeiro sentido da palavra liberdade. Aalis vivia encarcerada no castelo; sua vida havia sido raptada pela própria família. O casamento arranjado com o jovem Gilles de Soulliers era a garantia de uma velhice tranqüila para seu pai e também para a França e a Inglaterra, em guerra no século 12. Mas o seu noivo, que partira com os cruzados, morreu em batalha. Agora ela precisava fugir de outra união, com o velho Souilliers, e empreende uma fuga que a levará das agrestes paragens do norte da França para a charmosa catedral de Chartres; da sombra dos monges brancos de Císter e da ordem do Templo para os palácios onde os reis pactuam em segredo o destino dos povos.

Mais um daqueles casos em que a sinopse costuma ser mais atraente do que o livro em si. No que diz respeito ao aspecto medieval é possível encontrar um certo respaldo histórico ainda que apresente alguns equívocos aqui e ali. No entanto, um romance ficcional não se faz apenas de uma documentação plausível. É preciso acrescentar ingredientes que instigue a emoção do leitor. Em uma leitura arrastada e cansativa, vi escassos momentos de aventura. Pareceu-me a supremacia da técnica em detrimento da emoção. E é aí onde o bicho pega, isto é, onde a autora se perde. A aventura que pretendia ser de “capa e espada” é contada de forma tão apagada e desprovida de brilho que chega a causar bocejos. A história simplesmente não se desenrola. O tempo todo acontece um clímax na história que, ao invés de nos transpor para outros momentos e cenários, inexplicavelmente faz com tudo volte ao ponto de origem, como se nada tivesse acontecido. Ou seja, Aalis fugia, corria em meio aos perigos do desconhecido com o fim de alcançar seu objetivo de independência, mas a impressão é a de que ela ficava sempre no mesmo lugar: encurralada na zona de desespero de não saber-se independente como mulher, onde enfim pudesse decidir seu próprio destino.

Outro ponto que me incomodou bastante foi a ausência da descrição de personagens importantes para a trama. Ora, na minha concepção, o personagem e sua caracterização é o que há de mais importante ao se compor um livro; uma boa descrição é a chave de acesso aos portais da imaginação. Ainda que seja uma decisão de estilo e método abdicar de dar uma feição ao personagem, me incomoda não ver as suas características descritas com precisão. A sensação que tive é a de que não conheci a cara e nem o umbigo de Auxerre, o mocinho da história, mascarado pela ausência de sua própria persona. Mas, não é só com relação Auxerre que se pode observar tal omissão, muitos personagens são vozes sem rosto. No mínimo, muito estranho e impessoal. E tal fato contribuiu para que os personagens, inclusive os principais, perdessem a vitalidade em despertar o ímpeto da fantasia e da paixão em mim. E o romance de amor nem foi bom o suficiente para dar um caldo na leitura. Talvez estivesse também apagado pelo excesso de erudição e pouco entretenimento. Pronto, falei!
jul
22
Resgatando um dos personagens do clássico Mulherzinhas, de Louisa May Alcott, Geraldine Brooks conta neste livro a história do senhor March, marido e pai ausente que vê seus ideais se perderem após vivenciar as sanguinolentas batalhas da Guerra Civil americana. À medida que o Norte sofre uma série de derrotas inesperadas durante o primeiro ano da guerra, o senhor March se vê obrigado a abandonar a família para defender a causa da União. Essa experiência acaba ocasionando uma mudança brusca em seu casamento e em sua vida, e desafia suas mais profundas crenças. Comovente, este romance muito bem entrelaçado adiciona uma reflexão adulta para o romance otimista de Alcott.

Fiquei muito feliz pela oportunidade de ler O senhor March porque As mulherzinhas de Louisa May Alcott é uma espécie de passaporte para o meu reencontro com a minha infância. Quando O senhor March chegou em minhas mãos, temi me decepcionar de alguma maneira. Eu sempre achei um esforço ousado retomar um clássico da literatura universal do porte de As mulherzinhas de Louise May Alcott, mas Geraldine Brooks cumpriu a missão com excelência.

Interessante como um clássico é capaz de se desmembrar em novas releituras, romances paralelos e derivativos. A possibilidade de destrinchar as lacunas para a imaginação preencher além da possibilidade de revisitar personagens familiares e queridos, é um forte motivador da curiosidade. E de fato, fiquei curiosa sobre o que estava por vir. E a propósito, não me decepcionei.

Soube que Brooks se inspirou no pai (Mr. Bronson) da própria Louise May Alcott para dar voz ao idealista Mr. March. Creio que isso deu maior veracidade ao personagem que, durante a maior parte da narrativa, está em confronto entre o seu idealismo e as agruras e fealdades da guerra. Durante a narrativa, são inúmeros os fatos que nos possibilita refletir sobre os conflitos norte versus sul, abolicionismo versus escravidão, brancos versus negros, e tantos outros temas de um complexo fundo sociológico gerado em um desastroso período da história americana. A autora fez uma excelente trabalho ao explorar a forma como a guerra e a distância por tanto tempo da família afetou a vida do senhor March. Dizer que foi traumático é ser redundante. Mas, me faltam palavras.

Faço questão de destacar as partes finais do livro que são muito comoventes. Para mim, as melhores partes do livro estão presentes ali e vale a pena conferir. Ao término da leitura pude constatar que O senhor March é sim uma obra capaz de subsistir independente da obra original. È claro que a familiaridade com a obra As mulherzinhas é uma pedida interessante para enriquecer a leitura, possibilitar comparações e respaldar avaliações. No entanto, vale ressaltar que mesmo para quem nunca leu um livro de Alcott é possível consumir a obra sem prejuízo algum de entendimento. E sendo assim, eu recomendo!

E para saber mais, clique no site do livro: http://www.osenhormarch.com.br/home.asp

Não posso me furtar de dar uma satisfação aos leitores que, com tanto carinho, têm demonstrado preocupação comigo em virtude do meu afastamento do blog. De fato, estou um pouco afastada devido a problemas familiares inevitáveis. Alguns de vocês estiveram ciente de que, há alguns meses atrás, eu e minha família nos deparamos com a evolução da doença de Devic que por durante mais de dez anos acometeu uma querida tia minha. Segunda-feira última ela faleceu. E por mais que estívessemos nos preparando para esse desfecho, a surpresa e o choque exercem um efeito desvatador na alma. Mas, de certa maneira, estou feliz por saber que agora sim ela está bem. Agradeço pelo apoio de todos vocês.
jun
10

And she is now! Bem-vinda, Gracinha da vez!

Olá, eu sou a Debora

Blog: http://leituranossa.blogspot.com/

O meu romance gracinha é Lenda escrito por Jude Deveraux. Editora Bertrand

É um romance gracinha porque é criativo, surpreendente, romântico e conta com dois personagens masculinos que são tudo de bom… envolve temas como viagem no tempo e reencarnação…

O romance é sobre uma famosa chef de cozinha que vai se casar com Gregory Norman, o homem de seus sonhos e filho da proprietária do restaurante onde trabalha. Apaixonada por antiguidades, arremata, numa loja, um jogo de velhas latas de cozinha para decorar a sua casa. Kady nem imagina que dentro de uma das latas encontra-se um maravilhoso vestido de noiva em perfeito estado, acompanhado de uma jóia e de um delicado véu de renda finíssima. Muito menos suspeita que, ao vesti-lo, viajará no tempo e chegará à pequena cidade de Lenda, no Colorado, onde testemunhará e evitará o enforcamento de um homem. Kady não terá mais certeza de nada, nem saberá mais com quem irá se casar. Será com Gregory, seu atual noivo? Com Cole Jordan, o homem que quase morreu enforcado e ela salvou em Lenda? Ou com o misterioso homem, de rosto semi-encoberto, vestido com roupas escuras e montando um cavalo branco, que freqüentou seus sonhos durante toda a sua vida?

O ápice é quando…na verdade, tem dois momentos marcantes… o primeiro é quando Kady descobre a verdade sobre a cidade de Lenda e seu amado Cole Jordan, uma passagem incrível e muito triste…E o segundo é quando Kady precisa voltar a Lenda para mudar os acontecimentos do passado, e dessa vez ela é acompanhada por Tarik…
O romance tem trilha sonora? Nesse livro, eu acho que cada casal tem sua própria música… A de Kady e Cole Jordan cabe perfeitamente a música Lullaby, interpretada pelo grupo Dixie Chiks…Já o quando se trata de Kady e Tarik, uma música instrumental árabe ficaria perfeito…
Classificação: 5/5
E quanto a você, leitora do RG, Participe também! Envie para cá a o seu romance gracinha. Aquele romance que é a sua menina dos olhos em termos de literatura romântica. Siga para o link do formulário aqui. Ou, se preferir, conheça a Galeria das Gracinhas que está na barra lateral desse blog, clique na imagem e pegue já seu formulário. O RG bate palmas para você!
jun
05

As impressões, dramas e sonhos amorosos de três mulheres chinesas do séculoXVII,relatados em um livro precursor, serviram de mote para o novo romanceda aclamada autora sino-americana Lisa See. Fascinada pelo ineditismo da publicação, Lisa See mergulha em ampla pesquisa histórica sobre os desafios das mulheres chinesas para serem ouvidas e respeitadas em seus relacionamentos para dar forma ao romance As palavras do amor, uma inesquecível viagem de desejo, angústia, prazer e dor pelo universo feminino.No século XVII, havia mais mulheres escritoras na China do que em todos os demais países do mundo juntos. Elas também eram grandes leitoras e cresciam apaixonadas pela história da jovem donzela que toma as rédeas do próprio destino e prefere morrer de amor, na ópera O pavilhão de Peônia, de 1598, a se sujeitar a um casamento arranjado pela família. Elas não tinham autorização para assistir à encenação do espetáculo, mas podiam acompanhar sua versão escrita. Três dessas mulheres, que foram, coincidentemente, casadas com o mesmo homem, uma após a outra, relataram em livro, Comentários das três esposas, seus dilemas amorosos depois das provocações causadas pela leitura da ópera.Lisa See parte desses dados históricos e acrescenta a eles elementos de ficção para escrever o romance As palavras do amor. No livro, a jovem Peônia, de 16 anos, sonha descobrir o amor embalada pela história da donzela Liniang, personagem central da ópera de Tang Xianzu. Mas, na China do século XVII, das Dinastias Ming e Quing, as meninas eram destinadas a casamentos acertados por suas famílias. Mesmo na casa dos Chen, uma abastada família de Hangzhou cujas mulheres tinham acesso à educação e à cultura, as regras não eram diferentes.

Certamente é um livro diferente dos muitos que já li. Foi uma oportunidade que tive de viajar no tempo e conhecer uma China pouco retratada. Para mim duas palavras definem o romance: devoção e amor. Baseado em uma história real, o romance explora as inúmeras manifestações do amor, inclusive no que concerne ao amor além da vida. Mas, não é só isso. O livro aborda outros temas universais: a condição restritiva da mulher e o desejo que tem de ser ouvida, o poder das palavras; além de outras emoções que transcendem qualquer tempo e lugar. Não dá para contar muito, porque senão perde-se o momento da surpresa, o clímax pelo qual todo o leitor precisa vivenciar por si mesmo. Tive uma decepçãozinha que nada tem a ver com a condução da história muito criativa e bem urdida, por sinal; tem muito mais a ver com a minha verve romântica que, com olhos do mundo físico, torceu por um grand finale de amor. Outra parte de mim, depois que as primeiras emoções passionais se esvaíram, pôde entender a qualidade de um amor mais abrangente que cresce por progressão aritmética a cada ato de doação, desprendimento e entrega. Definitivamente, não dá para desprezar o tesouro multicultural que esse livro representa ao descortinar noções de amor e perseverança pouco vistas no mundo ocidental.
mai
29

Lydia Smith é uma dama inglesa que embarca para Oriente para reunir-se a seu noivo. Entretanto, será a traição quem irá ao seu encontro. Quando chega em Xangai, é drogada e vendida como escrava para um comerciante e influente chinês… um homem que comprou seu corpo com a esperança de tornar sua alma imortal. O que ele busca não é a virgindade da moça, apenas seu yin, sua essência. Ela percebe que a única saída que lhe resta é aceitá-lo, por isso decide deixar-se levar, permitindo que ele lhe dê prazer e a ensine na arte da sedução até o momento de sua libertação. Um caminho repleto de perigos, e também de recompensas.
The White Tigress de Jade Lee é o primeiro livro da Série Tigresa. Fui impelida a lê-lo motivada por uma curiosidade (sempre mais forte do que eu). Afinal, estava diante de um enredo muito original. Pelo menos nunca li nada sobre o Tao do sexo em um romance. E descobri que sabia muito menos do que pensava acerca do papel das energias yin e yang que, uma vez perfeitamente combinadas, resultaria no alcance elevado da imortalidade. Porém, dado o caráter exótico da trama, estava preparada para dispensar somente uma apreciação apagada do livro. Mas, após a leitura, o que posso dizer senão que o livro é uma bela surpresa?


Ru Shan e Lydia representam a combinação multicultural do oriente com ocidente. Como a história se passa em Xangai, a autora nos fornece um amplo leque de costumes e hábitos culturais do lugar. E com relação ao Tao do sexo que poderia descambar para algo pra lá de exótico, diria bizarro, resultou o contrário. Cada expressão de conotação sexual é bem conduzida pela escrita delicada da autora que faz bom uso das metáforas chinesas para nomear posições e órgãos sexuais.

Mesmo permitindo uma leitura leve ainda que seu conteúdo seja bastante erótico e sensual, The White Tigress trata de questões polêmicas demandando do leitor uma postura relativista para aceitar a relação entre Ru Shan e Lydia. Não sei se autora consegue esse objetivo com sucesso pois, as possíveis interpretações que possam ser dadas às escolhas e decisões controversas de seus personagens deverão passar pelo crivo subjetivo do leitor.

Mas, a autora apresenta uma justificativa viável para explicar a atitude de Ru Shan. Um personagem que já de início o tomamos por vilão, um déspota que compra a inocente Lydia para transformá-la em seu mascote; ser mascote significa ser o meio pelo qual Ru Shan pode alcançar a imortalidade, o caminho do meio. E para isso, Ru Shan tem que extrair o yin, a água, a essência feminina que Lydia tem em abundância. Aí você me pergunta por quais meios? Lembra-se que eu mencionei a palavra “erotismo”? Então, é por aí mesmo.
Mas, Jade Lee é exímia em fazer-nos grudar na história até o fim. E apesar das lacunas que se formos fuçar, as encontraremos, ela cria um mundo convicente que nos impede de ridicularizar a estranheza que a trama a priori pode nos causar. E o auge do romance é, a meu ver, quando Ru Shan e Lydia desnudam suas almas um para o outro. Quando se permitem, por meio do diálogo, tornar em comum os seus pensamentos e convicções. È desse modo que se apaixonam, quando realmente passam a conhecer um ao outro pelos olhos do coração.


Em suma, talvez não seja uma leitura confortável, mas, certamente ela nos faz pensar que todos os seres humanos têm o direito a liberdade e ao amor independente de sua cultura de origem.