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ago
20

Em seu livro de estreia, Marley & Eu, John Grogan mostrou como os cachorros podem se tornar muito presentes na vida de uma família. Agora, em De Volta para Casa, Grogan conta sua história de vida muito antes de conhecer seu cachorro travesso. Repleto de revelações emocionantes e de muitas passagens divertidas, este livro irá envolver seu coração, mas, mais ainda, fará com que você faça a própria jornada de volta para casa, passando a ver com outros olhos aqueles que você realmente ama.


Se você, assim como eu, gosta de biografias e as considera fascinantes, esse livro é uma excelente pedida. Independente das intenções que motivaram John Grogan a elaborar suas memórias, o que se tem é a trajetória única, original e intransmissível de sua biografia afetiva. Parece-me que Grogan literalmente sentiu-se em casa ao escrever esse livro. O sentimento de pertença à sua história familiar está gravado em alto-relevo; assim como a noção do amor que, com todas as suas saliências e reentrâncias, se apresenta como que a apontar tantos os momentos felizes como os mais dolorosos.

Durante todo o tempo que durou a leitura, tive contato com uma narrativa refrescante, sincera e vívida assim como aconteceu com Marley e eu . Por falar nisso, é possível notar que, sob perspectivas distintas, ambos os livros exploram os momentos derradeiros de vidas bem amadas e vividas.

È um livro que evocou também muitas de minhas lembranças ao lado de minha família dado o senso de empatia que a história gerou em mim.

De volta para casa talvez não seja o título que melhor se encaixe nessa história. Porque partindo do princípio de que a distância do ser amado é muito mais uma questão afetiva do que geográfica, creio que Grogan nunca esteve afastado de seu lar. Afinal, casa não é só a estrutura material. Casa é sobretudo a família que nela reside. Portanto, por mais longe que você ou eu estejamos de casa, ela sempre estará conosco pelos laços consaguíneos, afetivos e espirituais criados pela convivência. De modo que não se pode precisar se somos nós quem nos movemos em direção aos nossos familiares queridos ou se são eles que vêm até nós, mas de algum modo sabemos que eles estão sempre conosco e vice-versa.

Alguém já experimentou dessa sensação ou eu estou falando água?

Bem, essa é razão pela qual De volta para casa me tocou profundamente. E, claro, eu recomendo a leitura efusivamente.

Saiba mais pelo mini-site que está muito fofolete! Com aquele jeitinho de casa da mamãe:

http://www.devoltaparacasa.com.br/home.as
p

ago
14

Olá, eu sou Camilla.

Blog: http://www.livroscomcoracao.blogspot.com





O meu romance gracinha é Um Amor de Detetive de Sarah Mason. Editora Bertrand Brasil.

É um romance gracinha porque é engraçado, envolvente e romântico. Por que tem uma linguagem direta e personagens interessantes e divertidos. Por que fala do amor que nasce a partir da convivência diária e conhecimento dos piores defeitos um do outro.

O romance é sobre uma jornalista que acaba de ser promovida (nem tanto!) à repórter criminal. Ela precisa conviver com o detetive James Sabine, que não está gostando nada de ter uma pessoa da imprensa como sua sombra, e escrever uma coluna intitulada “O Verdadeiro Diário de Dick Tracy”.

O ápice é quando… Na verdade, há várias partes das quais eu gosto. Holly é sempre muito desastrada… Faz muitas visitas ao hospital e ao Maravilhoso Dr. Kirkpatrick, mas indicaria a sua última visita ao hospital, quando ela descobre o seu verdadeiro sentimento por James.

O romance tem trilha sonora? Tem. Uma cantora que relaciono com esse romance é Yael Naïm. Ela, assim como o romance, tem um ritmo doce e alegre. Indicaria as músicas “New Soul” e “The Only One”.

“ (…) Você é o único
Yeah, você é o único
Quem pode me deixar tão louca.”

(Trecho traduzido de The Only One)

Ouça e assista o vídeo da música recomendada pela Camilla:


Obrigada Camilla pela brilhante participação! E quanto a você, leitora do RG, Participe também! Envie para cá a o seu romance gracinha. Aquele romance que é a sua menina dos olhos em termos de literatura romântica. Siga para o link do formulário aqui. Ou, se preferir, conheça a Galeria das Gracinhas que está na barra lateral desse blog, clique na imagem e pegue já seu formulário. O RG bate palmas para você!
ago
06

Esta deliciosa fábula narra a emocionante viagem de Aalis, a jovem heroína, e sua descoberta do verdadeiro sentido da palavra liberdade. Aalis vivia encarcerada no castelo; sua vida havia sido raptada pela própria família. O casamento arranjado com o jovem Gilles de Soulliers era a garantia de uma velhice tranqüila para seu pai e também para a França e a Inglaterra, em guerra no século 12. Mas o seu noivo, que partira com os cruzados, morreu em batalha. Agora ela precisava fugir de outra união, com o velho Souilliers, e empreende uma fuga que a levará das agrestes paragens do norte da França para a charmosa catedral de Chartres; da sombra dos monges brancos de Císter e da ordem do Templo para os palácios onde os reis pactuam em segredo o destino dos povos.

Mais um daqueles casos em que a sinopse costuma ser mais atraente do que o livro em si. No que diz respeito ao aspecto medieval é possível encontrar um certo respaldo histórico ainda que apresente alguns equívocos aqui e ali. No entanto, um romance ficcional não se faz apenas de uma documentação plausível. É preciso acrescentar ingredientes que instigue a emoção do leitor. Em uma leitura arrastada e cansativa, vi escassos momentos de aventura. Pareceu-me a supremacia da técnica em detrimento da emoção. E é aí onde o bicho pega, isto é, onde a autora se perde. A aventura que pretendia ser de “capa e espada” é contada de forma tão apagada e desprovida de brilho que chega a causar bocejos. A história simplesmente não se desenrola. O tempo todo acontece um clímax na história que, ao invés de nos transpor para outros momentos e cenários, inexplicavelmente faz com tudo volte ao ponto de origem, como se nada tivesse acontecido. Ou seja, Aalis fugia, corria em meio aos perigos do desconhecido com o fim de alcançar seu objetivo de independência, mas a impressão é a de que ela ficava sempre no mesmo lugar: encurralada na zona de desespero de não saber-se independente como mulher, onde enfim pudesse decidir seu próprio destino.

Outro ponto que me incomodou bastante foi a ausência da descrição de personagens importantes para a trama. Ora, na minha concepção, o personagem e sua caracterização é o que há de mais importante ao se compor um livro; uma boa descrição é a chave de acesso aos portais da imaginação. Ainda que seja uma decisão de estilo e método abdicar de dar uma feição ao personagem, me incomoda não ver as suas características descritas com precisão. A sensação que tive é a de que não conheci a cara e nem o umbigo de Auxerre, o mocinho da história, mascarado pela ausência de sua própria persona. Mas, não é só com relação Auxerre que se pode observar tal omissão, muitos personagens são vozes sem rosto. No mínimo, muito estranho e impessoal. E tal fato contribuiu para que os personagens, inclusive os principais, perdessem a vitalidade em despertar o ímpeto da fantasia e da paixão em mim. E o romance de amor nem foi bom o suficiente para dar um caldo na leitura. Talvez estivesse também apagado pelo excesso de erudição e pouco entretenimento. Pronto, falei!
ago
03

Molina é um jornalista que, aos 43 anos, toma a decisão de se dedicar exclusivamente a ser escritor. Na busca por uma história que valha a pena ser contada, ele conhece Xerxes, que lhe narra sua paixão por uma menina chamada Elza, em meio à Intentona Comunista, quando Luís Carlos Prestes quis tomar o poder e foi derrotado. A história de amor, no entanto, jamais foi consumada – Elza foi assassinada por seus companheiros do Partido Comunista.

Elza é a heroína que não chegou a ser, a anti-heroína que não chegou a ser. Você entende? Um personagem sem narrativa, uma peça de formato grotesco. Impossível encaixar Elza em qualquer tabuleiro: nem à direita nem à esquerda, nem em cima nem embaixo. Não era para ela estar ali. Elza só nos resta lamentar, como um acidente. Sua morte não oferece possibilidade de redenção, é uma morte torpe. Elza morreu como uma cadelinha por engano, por esporte, por despeito, por nada. Ninguém a vingou, a própria idéia de vinga-la é inconcebível. Vingar como? Toda vingança histórica é um epílogo, um grand finale que nos obriga a reescrever a narrativa pregressa a partir desse cabo, transformando injustiça em justiça, caos, em ordem. Como fazer isso com Elza? Em que história ela ficaria confortável? Em que história, me diz?

Elza, A Garota é uma narrativa original, inventiva e com altas doses de esforço imaginativo. Um tipo de romance difícil de definir em razão da característica acentuada de “docudrama” que o texto apresenta. Seria um romance híbrido? Um romance-verdade? Um romance histórico? È melhor deixá-lo ser um romance por si só sem a necessidade de outros rótulos para acompanhá-lo. Na verdade, tem-se a combinação perfeita entre literatura e jornalismo como que a evidenciar a linha tênue entre realidade e ficção. Sábia decisão de Sérgio Rodrigues que, visualizando matéria-prima rica o bastante para um romance, evitou reduzi-lo a um trabalho não ficcional. Com isso, ganha o leitor ao ter em mãos um romance com substância suficiente para ser analítico e ao mesmo tempo apaixonado. È um livro cuja narrativa é muito diferente do que já li; com a contextura de thriller, suspense, história trazendo também à luz os pequenos ardis da paixão, elementos do nosso tão apreciado universo literário romanesco.

Mesmo desconhecendo por completo a história de Elza, não pus resistência a oportunidade de conhecê-la por intermédio do livro. Afinal, a pouca repercussão histórica de quem foi Elza não anula a importância da vida dessa menina que, vivendo tão pouco (supostamente 16 anos!), é tão abundante para explicar acerca de quem somos nós, brasileiros, hoje.

Como cidadã brasileira (com orgulho!), fico feliz por Elza ter saído da condição de um mero capítulo propositalmente esquecido da história brasileira. Aí está uma oportunidade para se comprovar que a literatura nacional tem fôlego. O valor da leitura? Acompanhar a verdade saindo dos bastidores não tem preço.

Saiba mais dessa história clicando no link a seguir:

http://www.elzaagarota.com.br/default.asp

jul
22
Resgatando um dos personagens do clássico Mulherzinhas, de Louisa May Alcott, Geraldine Brooks conta neste livro a história do senhor March, marido e pai ausente que vê seus ideais se perderem após vivenciar as sanguinolentas batalhas da Guerra Civil americana. À medida que o Norte sofre uma série de derrotas inesperadas durante o primeiro ano da guerra, o senhor March se vê obrigado a abandonar a família para defender a causa da União. Essa experiência acaba ocasionando uma mudança brusca em seu casamento e em sua vida, e desafia suas mais profundas crenças. Comovente, este romance muito bem entrelaçado adiciona uma reflexão adulta para o romance otimista de Alcott.

Fiquei muito feliz pela oportunidade de ler O senhor March porque As mulherzinhas de Louisa May Alcott é uma espécie de passaporte para o meu reencontro com a minha infância. Quando O senhor March chegou em minhas mãos, temi me decepcionar de alguma maneira. Eu sempre achei um esforço ousado retomar um clássico da literatura universal do porte de As mulherzinhas de Louise May Alcott, mas Geraldine Brooks cumpriu a missão com excelência.

Interessante como um clássico é capaz de se desmembrar em novas releituras, romances paralelos e derivativos. A possibilidade de destrinchar as lacunas para a imaginação preencher além da possibilidade de revisitar personagens familiares e queridos, é um forte motivador da curiosidade. E de fato, fiquei curiosa sobre o que estava por vir. E a propósito, não me decepcionei.

Soube que Brooks se inspirou no pai (Mr. Bronson) da própria Louise May Alcott para dar voz ao idealista Mr. March. Creio que isso deu maior veracidade ao personagem que, durante a maior parte da narrativa, está em confronto entre o seu idealismo e as agruras e fealdades da guerra. Durante a narrativa, são inúmeros os fatos que nos possibilita refletir sobre os conflitos norte versus sul, abolicionismo versus escravidão, brancos versus negros, e tantos outros temas de um complexo fundo sociológico gerado em um desastroso período da história americana. A autora fez uma excelente trabalho ao explorar a forma como a guerra e a distância por tanto tempo da família afetou a vida do senhor March. Dizer que foi traumático é ser redundante. Mas, me faltam palavras.

Faço questão de destacar as partes finais do livro que são muito comoventes. Para mim, as melhores partes do livro estão presentes ali e vale a pena conferir. Ao término da leitura pude constatar que O senhor March é sim uma obra capaz de subsistir independente da obra original. È claro que a familiaridade com a obra As mulherzinhas é uma pedida interessante para enriquecer a leitura, possibilitar comparações e respaldar avaliações. No entanto, vale ressaltar que mesmo para quem nunca leu um livro de Alcott é possível consumir a obra sem prejuízo algum de entendimento. E sendo assim, eu recomendo!

E para saber mais, clique no site do livro: http://www.osenhormarch.com.br/home.asp

Não posso me furtar de dar uma satisfação aos leitores que, com tanto carinho, têm demonstrado preocupação comigo em virtude do meu afastamento do blog. De fato, estou um pouco afastada devido a problemas familiares inevitáveis. Alguns de vocês estiveram ciente de que, há alguns meses atrás, eu e minha família nos deparamos com a evolução da doença de Devic que por durante mais de dez anos acometeu uma querida tia minha. Segunda-feira última ela faleceu. E por mais que estívessemos nos preparando para esse desfecho, a surpresa e o choque exercem um efeito desvatador na alma. Mas, de certa maneira, estou feliz por saber que agora sim ela está bem. Agradeço pelo apoio de todos vocês.