
Niki é uma bela garota, é divertida, é inteligente. Tem 17 anos. Alex é um “garoto” de quase 37. Separou-se há pouco, e sem uma razão clara, de sua noiva. Publicitário com grandes responsabilidades vê-se em crise no trabalho. Os dois se cruzam casualmente num pequeno acidente de trânsito. Niki gosta de Alex, Alex acha Niki divertida. A relação fica cada vez mais intensa. Não querem deixar a diferença de idade atrapalhar… O mundo dos adolescentes se choca com o dos adultos. Mas a vida dos dois nunca mais será a mesma. Este romance é a vontade de reencontrar a própria liberdade, a vontade de ter sentimentos verdadeiros, de amar sem convenções e sem muitos porquês. É o cotidiano, mas também o sonho.
A minha trajetória com esse livro foi um tanto quanto curiosa. Durante a leitura, muitas vezes me vi absorvida e encantada com a história. Por outras vezes, eu me senti em agonia total e também aborrecida. E me sentindo agora plena de insinuações dúbias e indefiníveis em relação ao livro é que, portanto, escrevo. Quem sabe ao final, eu alcance a síntese que me ajude a organizar meus sentimentos em relação ao livro.
O romance é extenso, porém ágil e de fácil leitura. Com tiradas engraçadas e outras um pouco forçadas. Mesmo nesses momentos a leitura transcorreu sem atropelos. Trata de aventuras sentimentais, de amizades verdadeiras e outras nem tanto. È também um guia italiano escrito por um italiano. Quem gosta das referências da cultura pop, o livro está cheio delas também. Até demais.
Mas, o que é importante considerar aqui é que o livro não oferece mais do que pode. Ou seja, Não engana. E essa honestidade, por incrível que pareça, é um ponto a favor de Moccia e de sua história.
Para mim seu ponto alto é realmente a relação entre Niki e Alex: o improvável casal, feitos um para o outro. Ele, mais velho e travadão e ela, adolescente e língua-solta. Divertidíssimas as passagens em que aparecem juntos. Os diálogos rendem boas risadas. Por um quase seria uma relação fortuita e casual. No entanto, o imprevisto, o nonsense de tudo casou-se naturalmente com o romantismo e a resistência de um amor fadado a não dar certo. Aliás, o romance deles é, sobretudo, solar (muito por conta da cuca-fresca da Niki). Tudo bem ao estilo djavaniano de amor azuzinho. Em pouco tempo, eles têm a trilha sonora só deles, e até uma essência (jasmins!) a marcar sua trajetória amorosa, trocam confidências, salivas e, jovens saudáveis que são, outras tantas substâncias químicas.
Mas, existem também nuvens a nublar esse amor solar. Em se tratando de romance, a ausência de conflito é puro tédio. Não dá! Portanto, há que se botar o amor a prova. Afinal, é preciso testar a tolerância, o perdão, a paciência de quem diz amar.
Uma coisa linda é a competência com que Moccia fala dos sentimentos indizíveis. Os dolorosos que nos deixa bastante desconfortáveis em expô-los. Também aqueles que de tão alegres nos emudece. Em contrapartida, o coloquialismo dos diálogos por vezes me pareciam truncados.
Também fiquei intrigada com as tramas paralelas. Elas me deixaram tensa. Como Moccia gosta de um mistério, hein?! Em certas horas, eu quis trapacear para ver o final e compreender o que estava por trás da moça do quarto índigo, qual era a daquele Mauro, o que ele fazia ali no livro, enfim, e me decepcionei um tiquinho. Não achei essas tramas transversais lá grandes coisas para justificarem tanto mistério. No entanto, admirei-me da técnica, pois a sensação é a de assistir a um filme em que o suspense não se deixar revelar antes da hora certa. Daí a razão da minha impaciência e inquietude.
Mas que saber? Federico Moccia conseguiu a façanha de fazer suspense de amor dentro de um romance de amor. Se vai te agradar? Só lendo para ver.
Um adendo especial vai para a adaptação da capa para o português feita pela talentosíssima amiga Renata Milan (O gato risonho). A capa, o grafismo, as letras chamaram-me muito atenção antes mesmo que eu identificasse o livro como sendo um dos que eu já queria ler. Show, Rê!















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