Tema: Contos de Fadas revisitado
Mês: fevereiro/210
Título: Lanark: Uma vida em quatro livros
Autor do livro: Alasdair Gray
Editora: Record
Nº de páginas: 655
Quando seu romance estréia, ‘Lanark’, foi lançado, Alasdair Gray ganhou a fama de melhor escritor escocês desde Walter Scott e o livro se tornou a mais influente obra escocesa da segunda metade do século XX. Um trabalho de intensa imaginação e largo alcance, cujas técnicas de narrativa semeiam uma mensagem profunda, tanto no campo pessoal quanto no político. Esta obra trata da incapacidade humana de amar e a compulsão de tentar encontrar o amor verdadeiro. É um épico moderno, apocalíptico e experimental, realista e fantástico, repleto de narrativas lúdicas. Publicado originalmente em 1981, o livro é uma mistura de diversos gêneros, aparentemente díspares – do conto até a novela, passando por fantasia, ficção científica, autobiografia, crítica literária e realismo.
O livro é sobre a história da vida de Lanark. No primeiro capítulo Lanark, sem passado e sem nome, chega numa cidade estranha onde não há luz do dia e as pessoas são dominadas por um poder invisível a determinar seu modo vida. Nesse lugar, as pessoas são acometidas de doenças estranhas. No caso de Lanark, por exemplo, seu braço é coberto de escamas de dragão e no lugar da mão, o que se vê é uma pesada garra do mesmo animal. De forma simbólica, a doença em Lanark representa sua alma e espírito revestidos de uma couraça em que nada ou ninguém o possa atingir. Obviamente, a evolução da doença em Lanark significa a perda de sua essência, de sua identidade, de sua humanidade. Paira a pergunta: Lanark será curado? Antes de sabê-lo, o leitor deverá acompanhar a história de sua vida do início ao fim. De forma instigante e original, o autor nos leva a percorrer com Lanark a via difícil, sofrida e inglória de quem resiste a ser coisificado. Seja por convicção, coragem moral ou espiritual, a esperança continua sendo a melhor opção.
Eu escolhi este livro porque…
Sua boa fama o precede. Isso foi o que instigou a minha curiosidade. Além disso, a leitura calhou com a ocasião do desafio literário de fevereiro uma vez que a narrativa acontece em um universo maravilhoso e fantasioso.
A leitura foi uma experiência fantástica. O livro está além de qualquer definição. A começar por sua estrutura não-linear onde a história começa pelo livro 3 (E com o prólogo no meio!). Esse aspecto inusitado soou como novidade para mim. O livro é complexo, sem sincronia, porém não menos divertido. Acima de tudo nos inspira por tratar de temas que nos são caros. Fala do amor, dos sonhos e da liberdade ofuscados pela circulo vicioso de uma cultura castradora do indivíduo. Com certeza é um livro que exige várias releituras para melhor compreendê-lo.
È 5/5!


“Então sentei-me a seu lado e tentei aquecê-la sob meus carinhos. Não dizia uma palavra, mas sorria . ” 




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