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mai
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Lydia Smith é uma dama inglesa que embarca para Oriente para reunir-se a seu noivo. Entretanto, será a traição quem irá ao seu encontro. Quando chega em Xangai, é drogada e vendida como escrava para um comerciante e influente chinês… um homem que comprou seu corpo com a esperança de tornar sua alma imortal. O que ele busca não é a virgindade da moça, apenas seu yin, sua essência. Ela percebe que a única saída que lhe resta é aceitá-lo, por isso decide deixar-se levar, permitindo que ele lhe dê prazer e a ensine na arte da sedução até o momento de sua libertação. Um caminho repleto de perigos, e também de recompensas.
The White Tigress de Jade Lee é o primeiro livro da Série Tigresa. Fui impelida a lê-lo motivada por uma curiosidade (sempre mais forte do que eu). Afinal, estava diante de um enredo muito original. Pelo menos nunca li nada sobre o Tao do sexo em um romance. E descobri que sabia muito menos do que pensava acerca do papel das energias yin e yang que, uma vez perfeitamente combinadas, resultaria no alcance elevado da imortalidade. Porém, dado o caráter exótico da trama, estava preparada para dispensar somente uma apreciação apagada do livro. Mas, após a leitura, o que posso dizer senão que o livro é uma bela surpresa?


Ru Shan e Lydia representam a combinação multicultural do oriente com ocidente. Como a história se passa em Xangai, a autora nos fornece um amplo leque de costumes e hábitos culturais do lugar. E com relação ao Tao do sexo que poderia descambar para algo pra lá de exótico, diria bizarro, resultou o contrário. Cada expressão de conotação sexual é bem conduzida pela escrita delicada da autora que faz bom uso das metáforas chinesas para nomear posições e órgãos sexuais.

Mesmo permitindo uma leitura leve ainda que seu conteúdo seja bastante erótico e sensual, The White Tigress trata de questões polêmicas demandando do leitor uma postura relativista para aceitar a relação entre Ru Shan e Lydia. Não sei se autora consegue esse objetivo com sucesso pois, as possíveis interpretações que possam ser dadas às escolhas e decisões controversas de seus personagens deverão passar pelo crivo subjetivo do leitor.

Mas, a autora apresenta uma justificativa viável para explicar a atitude de Ru Shan. Um personagem que já de início o tomamos por vilão, um déspota que compra a inocente Lydia para transformá-la em seu mascote; ser mascote significa ser o meio pelo qual Ru Shan pode alcançar a imortalidade, o caminho do meio. E para isso, Ru Shan tem que extrair o yin, a água, a essência feminina que Lydia tem em abundância. Aí você me pergunta por quais meios? Lembra-se que eu mencionei a palavra “erotismo”? Então, é por aí mesmo.
Mas, Jade Lee é exímia em fazer-nos grudar na história até o fim. E apesar das lacunas que se formos fuçar, as encontraremos, ela cria um mundo convicente que nos impede de ridicularizar a estranheza que a trama a priori pode nos causar. E o auge do romance é, a meu ver, quando Ru Shan e Lydia desnudam suas almas um para o outro. Quando se permitem, por meio do diálogo, tornar em comum os seus pensamentos e convicções. È desse modo que se apaixonam, quando realmente passam a conhecer um ao outro pelos olhos do coração.


Em suma, talvez não seja uma leitura confortável, mas, certamente ela nos faz pensar que todos os seres humanos têm o direito a liberdade e ao amor independente de sua cultura de origem.