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jul
06
E o outro post de hoje é para celebrar o talento de Lilly, uma grande fã da série outlander da Diana Gabaldon. O desenho abaixo reproduz o casamento de Jamie e Clare (série Outlander – Diana Gabaldon).

A passagem do casamento é uma das mais memoráveis do livro A viajante do tempo e vê-la expressa com tanto apuro no desenho acima, fez com que eu me transportasse de novo para aquele momento quando li a referida passagem pela primeira vez. Quem disse que não podemos viajar no tempo? Sim, foi uma viagem de retorno e resgate da narrativa e da mesma sensação de encantamento que sentir ao acompanhar o casamento inusitado e, ao mesmo tempo, belo de Jamie e Clare.

O desenho da Lilly demonstra que existem várias maneiras de se contar uma mesma história. Isto é, uma narrativa bem contada transcende o próprio campo literário e passa a nos pertencer a medida que nos deleita e nos comove. E o resultado se traduz naquilo que nossa imaginação é capaz de criar a partir da obra lida. Desse modo, o desenho da Lilly é a mais bela homenagem que gostaria de ser capaz de fazer também. Salve Lilly, parabéns por realizar um trabalho tão mais eloquente do que qualquer palavra.

Saca só o detalhe do lenço manchado de sangue remetendo ao voto de casamento que ambos fizeram: “Você é sangue do meu sangue e ossos dos meus ossos. Dou-lhe meu corpo, para que nós dois sejamos um só. Dou-lhe meu espírito, até o fim de nossas vidas”.

E o tartan que deu um trabalhão para ser feito, não é, Lilly? Trabalhão esse que se revelou um esforço recompensador cujo resultado extrema a sua delicadeza e sensibilidade aos detalhes. Lindo! Lindo! Parabéns.

Agradeço a Lilly que prontamente atendeu ao meu pedido em que expressei meu desejo de postar o desenho no RG. Aliás, estou ansiosa para ver o que mais virá de suas mãos e cérebro engenhosos.

E quem quiser acompanhar o seu trabalho é só clicar no link: http://lillywmw.livejournal.com/

Para ver a imagem em tamanho ampliado, siga para: http://lillywmw.livejournal.com/60321.html?#cutid2

Para acompanhar o que já escrevi sobre a série no RG clique aqui.

Que tal um resgate do trecho do capítulo “Um casamento é celebrado” – A viajante do tempo (Diana Gabaldon)?

Era um “quente” dia escocês, significando com isso que a névoa não estava suficientemente forte para ser qualificada de garoa, mas não muito longe disso, tampouco. De repente, a porta da estalagem se abriu e o sol surgiu, na pessoa de Jamie. Se eu era uma noiva radiante, o noivo era sem dúvida resplandecente. Fiquei de boca aberta e assim permaneci.
Um escocês das Highlands em roupas de gala é uma visão impressionante – qualquer um, por mais velho, feio ou desgracioso que seja. Um jovem escocês das Highlands, alto, empertigado e de forma alguma desgracioso, visto de perto é de se perder o fôlego.
Os fartos cabelos vermelho-dourados haviam sido escovados até adquirirem um aspecto brilhante e macio que roçava o colarinho de uma elegante camisa de linho fino
com a frente de pregas, mangas em forma de sino, punhos de babados enfeitados de renda, combinando com a cascata de babados e renda do jabô engomado, preso na altura da garganta e ornamentado com um alfinete de rubi.
Seu tartã era de um xadrez vermelho vivo e preto que ofuscava o mais sereno verde e branco dos MacKenzie. A lã flamejante, amarrada por um broche redondo de prata, caía de seu ombro direito num drapejo gracioso, preso por um cinto de espada cravejado de tachas de prata, antes de continuar seu volteio pelas panturrilhas elegantemente recobertas por meias de lã e parando logo acima das botas de couro preto com fivela de prata. Espada, adaga e bolsa de pele de texugo completavam o traje.
Com quase um metro e noventa de altura, de ombros largos e traços marcantes, ele estava longe de se parecer com o sujo domador de cavalos com quem eu estava acostumada – e ele sabia disso.
Com um gesto elegante, fez uma reverência impecável para mim, murmurando “A seu serviço, madame”, os olhos brilhando de malícia.
- Ah! – exclamei, quase desmaiando.
Nunca antes vira o taciturno Dougal embaraçado, sem conseguir encontrar palavras. As sobrancelhas grossas franzidas num rosto afogueado, parecia, a seu modo, tão surpreso quanto eu com essa aparição.
- Está louco, homem? — disse, finalmente. — E se alguém o vir? Jamie arqueou uma sobrancelha sarcasticamente para o homem mais velho.
— Ora, tio — disse. — Insultos? E além do mais no dia do meu casamento? Não ia querer que eu envergonhasse minha mulher, não é? Além disso – acrescentou com um brilho malicioso nos olhos -, acho que o casamento nem seria legítimo se eu não me casasse no meu próprio nome. E você quer que seja, não é?
Com um evidente esforço, Dougal recuperou seu autocontrole.
— Se já terminou, Jamie, podemos continuar – disse.
Mas Jamie ainda não havia terminado, ao que parecia. Ignorando a fúria de Dougal, retirou um colar de contas brancas de sua bolsa. Deu um passo à frente e fechou o colar em volta do meu pescoço. Olhando para baixo, pude ver que era um colar de pequenas pérolas barrocas, aquelas contas de forma irregular que são produto de moluscos de água doce, entremeadas com minúsculas contas de ouro. Pérolas menores pendiam das contas de ouro.
- São apenas pérolas escocesas – disse, desculpando-se -, mas ficam lindas em você. – Seus dedos demoraram-se um pouco no meu pescoço.
— Essas pérolas eram de sua mãe! — disse Dougal, olhando para as pérolas com ar ameaçador.
- Sim – disse Jamie calmamente. – E agora são de minha mulher. Podemos ir?
Onde quer que estivéssemos indo, ficava a alguma distância da vila. Formávamos um grupo de casamento um tanto carrancudo, o casal de noivos rodeados pelos demais como condenados que estavam sendo escoltados para alguma prisão distante. A única conversa foi uma desculpa de Jamie, em voz baixa, por ter chegado atrasado, explicando que houve alguma dificuldade em encontrar uma camisa limpa e um casaco grande que coubesse nele.
- Acho que esta pertence ao filho do escudeiro local – disse, agitando o jabô de renda.
- Um pouco almofadinha, me parece.
Desmontamos e deixamos os cavalos no sopé de um pequeno monte. Uma trilha em meio às urzes levava para cima.
- Tomou todas as providências? – ouvi Dougal dizer em voz baixa para Rupert, quando amarravam os animais.
- Ah, sim. – Viu-se um clarão de dentes na barba negra. – Foi um pouco difícil convencer o padre, mas nós lhe mostramos a licença especial- Bateu na bolsa à cintura, que retiniu musicalmente, dando-me uma idéia da natureza da licença especial.
Em meio à garoa e à névoa, avistei a capela projetando-se das urzes. Com uma sensação de completa incredulidade, vi a cúpula arredondada e as estranhas janelas com muitas vidraças pequenas, que eu vira na brilhante manhã ensolarada do meu casamento com Frank Randall.
- Não! — exclamei. — Aqui não! Não posso!
- Shh, vamos, shh. Não se preocupe, dona, não se preocupe. Tudo vai dar certo. -Dougal colocou a mão grande sobre meu ombro, produzindo sons tranqüilizadores em escocês, como se eu fosse um cavalo arisco. – É natural um pouco de nervosismo — disse para todos nós. A outra mão firme na minha cintura instava-me a continuarsubindo a trilha. Meus sapatos afundavam-se na camada úmida de folhas caídas.
Jamie e Dougal caminhavam junto a mim, um de cada lado, para evitar uma fuga. Suas dominantes presenças eram intimidantes e senti uma crescente sensação de histeria. Duzentos anos à frente, mais ou menos, eu me casara naquela capela, encantada na época com sua natureza antiga e pitoresca. A capela agora estava estalando de nova, as tábuas ainda não estavam assentadas com aquele charme que iria adquirir ao longo do tempo, e eu estava prestes a casar com um escocês de vinte e três anos, católico e virgem, com a cabeça a prêmio, cujo…
Virei-me para Jamie, repentinamente em pânico.
- Não posso me casar com você! Eu nem sei seu sobrenome!
Olhou para mim e arqueou uma sobrancelha ruiva.
- Ah. É Fraser. James Alexander Malcolm MacKenzie Fraser. — Pronunciou-o formalmente, cada nome devagar e distintamente.
Completamente perturbada, eu disse, estendendo a mão tolamente.
- Claire Elizabeth Beauchamp.
Aparentemente tomando o gesto como um pedido de apoio, segurou minha mão e enfiou-a firmemente na dobra do seu braço. Assim irremediavelmente presa, continuei caminhando em silêncio para o meu casamento.
Rupert e Murtagh esperavam por nós na capela, montando guarda ao lado do padre prisioneiro, um jovem sacerdote alto e magro, com um nariz vermelho e uma expressão justificadamente aterrorizada. Rupert indolentemente tirava lascas de um raminho de salgueiro com uma faca grande e, embora tivesse posto de lado suas pistolas de cabo de chifre quando entrou na igreja, elas permaneciam ao alcance da mão na beira da pia batismal.
Os outros homens também se desarmaram, como era próprio na casa de Deus, deixando uma pilha de letalidade impressionantemente rutilante no banco da igreja. Somente Jamie conservou sua adaga e sua espada, provavelmente como uma parte cerimonial de seu traje.
Ajoelhamo-nos diante do altar de madeira, Murtagh e Dougal assumiam seus lugares como testemunhas e a cerimônia começou. O formato da cerimônia de casamento católica não mudou muito em várias centenas de anos e as palavras unindo-me ao estranho ruivo a meu lado, eram basicamente as mesmas que haviam consagrado meu casamento com Frank. Sentia-me como uma concha oca e fria.
As palavras balbuciadas pelo jovem padre ecoavam em algum lugar vazio da boca do meu estômago.Levantei-me automaticamente quando chegou a hora dos votos observando numa espécie de entorpecido fascínio meus dedos gelados desaparecerem nas mãos poderosas do meu noivo. Seus dedos estavam tão frios quanto os meus e ocorreu-me pela primeira vez que, apesar da aparência exterior calma, ele devia estar tão nervoso quanto eu.
Até então eu evitara olhar para ele, mas agora ergui os olhos e deparei-me com ele fitando-me intensamente. Seu rosto estava lívido e cuidadosamente impassível; tinha a mesma expressão de quando eu tratara o ferimento em seu ombro. Tentei sorrir-lhe, mas os cantos da minha boca oscilaram precariamente. A pressão dos seus dedos nos meus aumentou. Tive a impressão de que um estava sustentando o outro; se um de nós soltasse a mão ou desviasse os olhos, ambos cairiam. Estranhamente, a sensação era reconfortante.
Onde quer que estivéssemos nos metendo, ao menos estávamos juntos nisso.
— Eu a aceito, Claire, como minha esposa… — Sua voz não tremia, mas sua mão sim.
Segurei seus dedos com mais força. Nossos dedos rígidos apertavam-se como tábuas num torno de bancada. -…amar, honrar e proteger… nos bons e nos maus
momentos… – As palavras vinham de longe. O sangue esvaía-se da minha cabeça. O corpete com barbatanas era infernalmente justo e, embora eu sentisse frio, o suor escorria pelo meu corpo por baixo do cetim. Esperava não desmaiar.
Havia uma pequena janela de vitral bem alta na parede ao lado do santuário, uma representação rústica de São João Batista com sua capa de pele de urso. Sombras verdes e azuis flutuavam sobre a manga do meu vestido, fazendo-me lembrar do salão da taberna e desejei um drinque fervorosamente. Minha vez. Gaguejei um
pouco, o que me deixou furiosa.
- Eu o recebo, James… – Empertiguei-me. Jamie terminara a sua parte com bastante credibilidade. Eu poderia tentar fazer o mesmo. -…para amar e proteger, de hoje em diante… – Minha voz fortaleceu-se.- Até que a morte nos separe. – As palavras ressoaram na capela silenciosa com um caráter surpreendentemente definitivo. Tudo estava imóvel, como uma imagem congelada. Então, o sacerdote pediu a aliança.
Houve uma agitação repentina e, de relance, vi a expressão arrasada no rosto de Murtagh. Mal registrei o fato de que alguém se esquecera de providenciar um anel, quando Jamie soltou minha mão o tempo suficiente para retirar um anel do próprio dedo.
Eu ainda usava a aliança de Frank na mão esquerda. Os dedos da mão direita pareciam congelados, descorados e rígidos na mancha de luz azul, quando um largo aro de metal passou pelo meu dedo anular. Ficou solto no dedo e teria caído se Jamie não dobrasse meus dedos e envolvesse minha mão fechada outra vez na sua.
Mais murmúrios do padre e Jamie inclinou-se para beijar-me. Era óbvio que ele pretendia apenas um breve e formal toque de lábios, mas sua boca era macia e quente e eu instintivamente me aproximei e correspondi Percebi vagamente alguns ruídos, gritos escoceses de entusiasmo e incentivo da platéia, mas na verdade não notei nada além da envolvente e cálida solidez dos seus lábios.
Separamo-nos, ambos um pouco mais serenos, e sorri nervosamente. Vi Dougal tirar a adaga de Jamie da bainha e perguntei-me qual seria a razão. Ainda olhando para mim, Jamie estendeu a mão direita, palma para cima. Prendi o ar de repente quando a ponta da adaga fez um corte profundo em seu pulso, deixando uma linha escura do sangue que aflorava. Não houve tempo de recuar antes que a minha própria mão fosse agarrada e eu sentisse o corte ardente da lâmina. Rapidamente, Dougal pressionou meu pulso ao de Jamie e enfaixou-os juntos com uma tira de linho branco.Devo ter cambaleado um pouco, porque Jamie segurou-me pelo braço com a mão esquerda livre.
- Agüente firme – disse baixinho. – Falta pouco agora. Repita as palavras depois de mim. — Era um pequeno texto em gaélico, duas ou três frases. As palavras não significavam nada para mim, mas as repeti obedientemente depois de Jamie, tropeçando nas vogais escorregadias. A tira de linho foi desamarrada, os cortes enxugados e limpos, e estávamos casados.
Havia uma sensação geral de alívio e satisfação no caminho de volta pela trilha. Parecia uma alegre festa de casamento qualquer, apesar de pequena, e composta inteiramente de homens, à exceção da noiva. Estávamos quase ao sopé da colina, quando a falta de comida, os remanescentes de uma ressaca e o estresse geral do dia me venceram. Deitei-me nas folhas úmidas, a cabeça no colo do meu novo marido. Ele colocou de lado o pano úmido com que estivera limpando meu rosto.
- Foi tão ruim assim? – perguntou rindo para mim, mas seus olhos guardavam uma certa expressão que me sensibilizou, apesar de tudo. Sorri tremulamente em resposta.
- Não é você – afirmei. – É que… acho que não comi nada desde o desjejum de ontem. E receio que tenha bebido muito.
Sua boca contraiu-se.
- Ouvi dizer. Bem, isso eu posso remediar. Não tenho muito a oferecer a uma esposa, como eu disse, mas prometo que vou mantê-la alimentada. – Sorriu e timidamente afastou com o dedo indicador um cacho caído em meu rosto.
Comecei a me sentar e fiz uma careta diante de uma leve queimação no meu pulso. Havia me esquecido dessa última parte da cerimônia. O corte se abrira, sem dúvida em resultado da queda que eu sofrera. Peguei o pano de Jamie e amarrei-o desajeitadamente em volta do pulso.
- Achei que fora isso que a fez desmaiar – disse, observando. – Eu deveria tê-la avisado; não percebi que não estava esperando por isso até ver seu rosto.
- O que era, exatamente? – perguntei, tentando enfiar as pontas por baixo do pano.
- É um pouco pagão, mas é tradição por aqui fazer um voto de sangue, juntamente com a cerimônia normal. Alguns padres não a aceitam mas acho que esse não iria se opor a nada. Parecia tão assustado quanto eu me sentia — disse, sorrindo.
- Um voto de sangue? O que as palavras significavam?
Jamie segurou minha mão direita e delicadamente prendeu a ponta da atadura improvisada.
- Dizem o seguinte:Você é sangue do meu sangue e ossos dos meus ossos. Dou-lhe meu corpo, para que nós dois sejamos um só. Dou-lhe meu espírito, até o fim de nossas vidas. Encolheu os ombros.- Mais ou menos como os votos normais,
apenas um pouco mais… ah, primitivos. Olhei para meu pulso enfaixado.- Sim, acho que se pode dizer isso.
Olhei ao redor; estávamos sozinhos na trilha, sob um álamo. As folhas arredondadas,. mortas, espalhavam-se pelo chão, brilhando na umidade como moedas enferrujadas. Estava muito silencioso, exceto pelo respingo ocasional de gotas d’água caindo das árvores.
- Onde estão os outros? Voltaram para a hospedaria?
Jamie fez uma careta. -Não. Eu mandei que se afastassem para poder cuidar de você, mas estarão esperando por nós logo ali embaixo. — Indicou com um movimento do queixo, à moda de um homem do campo.
- Não vão nos deixar sozinhos até que tudo esteja oficializado.
- É mesmo? — disse, sem compreender. – Estamos casados, não estamos. Ele pareceu constrangido, desviando o rosto e cuidadosamente afastando folhas mortas de seu kilt.
- Hum, hum. Sim, estamos casados, sem dúvida. Mas não está sacramentado, sabe, enquanto não for consumado. – Um rubor lento e intenso subiu de seu jabô de renda.
- Hum, hum – repeti. – Vamos procurar alguma coisa para comer.

fev
20
Taí uma coisa bacana. Não entende o porquê da mulher se trancar em um romance e jogar a chave fora? Faça graça disso com elegância e criatividade. Faça como Bruce Tinsley, criador da tirinha Mallard Fillmore. A mulher, fãnzérrima da Diana Gabaldon, inspirou a tirinha abaixo. Hilário!

Tradução meia boca:

— Uh…Mallard…Diana Gabaldon é professora universitária, cientista e Ph.D, assim como eu. Ela escreve ficção histórica e não romance mulherzinha*…estamos entendidos?

Mallard pensa:

“Quem acha que as mulheres ficam melindradas por conta do peso, nunca zombou de suas leituras recreativas”.

* Bodice-Rippes é uma expressão pejorativa para designar os romances que contêm sexo explícito, contexto histórico e uma trama envolvendo a sedução da heroína. Ou seja, literatura de mulherzinha.

O legal é que Tinsley, segundo o email que fez questão de enviar a Diana, confirma ter sido um pecado ter taxado o livro de Bodice Rippes porque foi lá bispar o livro e gamou…rsrs

fev
04

Quem é mais culpado pelas expectativas irreais do amor geradas nas inúmeras leitoras de romances? Edward Cullen ou Jamie Fraser? Se você está achando essa pergunta estranhíssima e, certamente, pensando o que um tem a ver com outro? Eu também.

Mas, a discussão não saiu de mim. Conversando com uma amiga querida, a Léia, ela contou-me que lá nos states, o esporte preferido agora do mulherio é esse: se atacarem para defender um ou outro dos supracitados. Rola uma disputa acirrada sobre quem é o melhor dos dois. E na net muitas não têm medo das flechas virtuais que voam de dia e de noite. Como essa garota. Sintetizando, ela disse: quem acha o Edward o bam-bam-bam, experimente Jamie Fraser. Pois, Jamie, sim, protege sua amada com nada além do que suas mãos humanas e nuas. Se soprar bem forte, o Edward se desintegrará. A presença de Jamie é tão sólida quanto se pode esperar de um personagem ficcional.


Ulála!

Nem tanto ao mar, nem tanto a terra pois é lógico que o debate não leva a lugar algum. Porém, eu achei tudo engraçado porque assim de prima não poderia haver personagens mais diferentes entre si.

Um é vampiro antigo e vive nos tempos modernos, além de ser imortal. E ama uma mulher mais jovem (se formos computar a vivência do moço) e tem a pele fria. E o outro é um highlander escocês dos idos de 1700s que ama uma mulher mais velha do que ele (nem tanto se formos também comparar a vivência do moço a de uma mulher nascida nos idos de 1900s) e tem a pele quente.

Há, porém, semelhanças como a proteção abnegada que dedicam às amadas, o ar torturado dos dois, bem como, o apelo forte que exercem nas leitoras, todas puro DNA romântico. E, quem dirá que não são ambos sobrenaturais? Sem contar que são também os caras da ficção do momento. Pense na pergunta que for: Qual é o herói do mês? Quem você gostaria de conhecer? Por qual o personagem do livro você já se apaixonou? De quem você gostaria de receber uma massagem? Qual o seu perfil ideal de entregador de pizza? Etc., e Edward e Jamie estão lá para receber os lauréis da glória.

Mas, porque amo bobagadas (quem me conhece, sabe…dêem-me uma lista de cultura inútil para que eu me farte!), tive que compartilhar esse festival delas aqui no RG.

Para não dizer que eu não me posiciono, reconheço os méritos de ambos. Mas, quando o assunto é Jamie, Mon Dieu, I really need you tonight, Jamie! E olha que tenho um apreço imenso pelo Edward, viu?

Falando de heróis, fiz uma lista dos meus preferidos (sem ordem de entrada porque sou muito passional para escolher um só…rs):

Jamie Fraser (of course!), Mr. Darcy, Edmond Dantés, Heathcliff, Rory O’Donnell, Matt Farrell, Reth Buttler, Henry e caramba! Sei que faltam mais alguéns.

nov
02

Já existe um roteiro adaptado de Outlander para a telona. Eu acompanharei a novela, é claro, e fofocarei tudo aqui. O roteirista é Randall Wallace (O mesmo de Fomos heróis, O homem da máscara de ferro, Coração valente e Pearl Harbor). A Essencial Pictures que desenvolverá os projetos está a procura do diretor(Quem será? Quem será?). A franquia já parece ser um sucesso anunciado. E fica a pergunta: será que a película conseguirá traduzir com êxito toda a ação, romance e historicidade contidas em seu original?



Eu torço para não ficar com um travo amargo na boca.



Ah!!! Eis a fonte.



E quem encenará Jamie, nosso intrépido Escocês?
out
16

A Tathy e a Lili, ao me avisarem tão gentimente da chegada de Os tambores de outono, abriram o precedente para minha compulsão Outlander. Eu me rendi, não resisti e, portanto, aqui estou eu visivelmente transtornada…rsrs Sendo assim então, vamos lá! Fazer o quê?


A viajante do tempo é uma narrativa incomum. Se você pensou o contrário, por favor, revise seus conceitos, rompa com a tradição e parta em busca de uma cópia desse romance fantástico.


Um aviso de antemão: essa postagem será longa. Portanto, se o tempo é parco e os afazeres são muitos, sugiro que volte em hora amena.

O primeiro livro da Série Outlander nos apresenta Claire Randall às voltas com um casamento sem quaisquer resquícios do viço do amor. Situação essa atribuída à deflagração da Segunda Guerra Mundial que obrigou a ela e seu marido, Frank Randall, a viverem separados um do outro. Frank seguiu para o Treinamento de Oficiais na Unidade de Inteligência e Claire foi encaminhada para o treinamento de enfermeiras. Com o fim da guerra, ambos se reúnem novamente e partem para uma segunda lua-de-mel em Inverness (Escócia) para recuperarem a intimidade perdida em virtude dos anos de afastamento. Nos dias que se seguem, a lua-de-mel não se parece em nada com um idílio amoroso. O período de adaptação dos cônjuges está mais propenso para uma atualização acadêmica de Frank do que para o prazer recíproco. No entanto, a tônica do “não custa nada tentar” parece reger a união de Claire e Frank.

Atentos às festividades sagradas do advento de Beltane, o festival da primavera, os mistérios pairam no ar evocando lendas que se manifestam em fenômenos inimagináveis.

Tais fenômenos sinalizam que os problemas do casamento são disparadamente pequenos se comparados à situação inusitada e mística com que Claire se depara quando adentra o domínio do centro mágico de um círculo de pedras conhecido como Craigh Na Dun ou colina das fadas. Mediante um acontecimento extraordinário e inexplicável, Claire atravessa as pedras transportando-se para o ano de 1743 onde se acha no meio de uma escaramuça violenta da época. E é aí que a história conquista o leitor de vez tornando a tentativa de desprender-se das 732 páginas do livro um evento tardio e vão.


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Porque Claire viajou no tempo? Como ela é afetada por tal evento? Só ela pode atravessar as pedras? Tais perguntas, com exceção da terceira, não são respondidas no primeiro livro. Eu, particularmente, não acho que a grande questão do livro esteja centrada no propósito da colina das pedras visto como um canal de passagem. Acho que a viagem no tempo implica, sobretudo, na indagação acerca da possibilidade de Claire alterar o curso da história. Questionamentos que ela própria se fará não sem travar um embate interno bastante conflituoso.

Mas, antes disso acontecer, ela passa por muitas circunstâncias acidentais. Sem perceber, ela se adapta aos costumes da época e tem oportunidade de conviver com Jamie Fraser no Castelo de Leoch onde é constantemente vigiada, a mando de Collum Mackenzie (tio de Jamie) sob suspeita de ser uma espiã inglesa. O problema, é que, aos olhos dos ingleses, ela também é suspeitíssima. Então, para salvar-se de ser torturada pelos ingleses, casa-se com Jamie. E assim, se instala o conflito da protagonista: voltar para o seu mundo de origem ou permanecer ao lado de um homem que se torna a cada dia mais apaixonante?

Sua vida de casada com Jamie é repleta de aventura, medos, embates bem como de um amor mais forte e incontrolável que o tempo (afinal o Jamie em si é um acontecimento, né). Diga-se de passagem, uma vida bem diversa da que tinha ao lado de Frank.

Aventura x Monotonia… Banhos gelados x Banhos quentinhos…ou seja, uma vida D.C (Depois de Jamie). Qual a sua escolha? Unidunitê, salamêminguê….rs


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E temos, é claro, um dos vilões mais odiosos de todos os tempos que rivaliza com a mocinha pelo amor do mocinho. O cara é obcecado por Jamie de uma maneira desvirtuada e sádica. Black Jack Randall. Um ancestral de Frank Randall. (Mais essa para o infortúnio da sorte de Frank, coitado). A afinidade é apenas consangüínea pois, em matéria de caráter, digamos que Frank: 10, Black Jack: 0.

Aliás, uma das passagens mais difíceis da trama ocorre por força da obsessão de Black Jack por Jamie. È de sangrar o coração!

Falando em personagens, impossível não perceber os contornos multidimensionais com que Gabaldon os pinta. Eles são cheios de camadas multicromáticas. Nunca maniqueístas. O que nos poupa dos temíveis clichês. Jamie e Claire estão sempre a nos surpreender.

Jamie, um sujeito grandalhão cujo tamanho e intensidade do coração suplanta sua estatura. Meigo, muito meigo. Capaz de soltar, sem artificialismo, frases que beiram a ingenuidade. A verdade é que Jamie nasceu livre. Talvez, seja por isso que o Black Jack lhe dedica essa compulsão desarrazoada pois nunca poderá escravizar a alma de Jamie. Quase conseguiu. Mas, havia uma Claire no meio do caminho…Voltando ao Jamie, bem, ele parece sempre englobar, em qualquer ação ( seja no seu amor por Claire e por sua família, seja em suas responsabilidades como chefe dos Fraser) uma oferta de amor e sacrifício. Em outras palavras, como o cara é passional! Em cada um de seus atos temerários me vejo gritando exclamações, murmurando dúvidas, assinalando minhas reticências mas, sempre, temendo um possível ponto final porque Jamie dá um trabalhão.

Claire é a personificação da natureza pragmática até nos cabelos. (Imagina se ela vivesse nos ditames da escova progressiva!!!) Ela é também matriarcal sem deter título algum que lhe confira o domínio de um clã. Sua fibra e força são notáveis, principalmente, quando pesamos o fato de que suas habilidades curandeiras eram tidas, na época, como uma espécie de cancro para sociedade. A despeito disso, ela não se esconde, exerce suas competências medicinais como se dispusesse de todo arsenais modernos de sua época. Sempre achei o Jamie mais passional que a Claire. Talvez seja unicamente impressão. Afinal, o que ela faz para resgatar o Jamie da morte é uma declaração de amor total ainda que notemos vestígios do fator racional de seu ser, pois tudo o que ela faz é quase sempre sob o ponto de vista prático. Enfim, uma mulher admirável que não consegue mentir nem para si mesma. E o que é melhor: não padece daquelas bobajadas aguadas de “será que ele me ama?”…


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Ao término do livro algumas questões persistem e nos instigam a procurar informações nos demais livros da série. Eles também são extensos mas, suas páginas voam a toque de caixa. Créditos merecidamente concedidos a Diana Gabaldon, nossa exímia contadora de histórias.

Série Oulander

A viajante do Tempo
A libélula no âmbar
O resgate no mar (parte 1 e parte 2)
Os tambores de outono (parte 1 e 2)
The fiery cross
A breath of snow and ashes