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nov
05

lua nova
Quando descobri o primeiro livro da série Crepúsculo não imaginava que o livro alcançaria um sucesso tão estratosférico quanto vem acontecendo hoje. A febre parece não ceder tão cedo. È fato, a Vamp Lit dominou geral, mas eu ainda não consegui me render ao fenômeno. Na minha preferência pessoal de leitura, os seres humanos, os seres cotidianos são os tops one do meu ranking particular. Não estou desmerecendo a capacidade inventiva dos autores do gênero. Até gosto de alguns, mas sem fogos de artifícios. E torço para que um dia algum autor desse filão me surpreenda.

Desde o início do ano venho segurando a leitura de Lua Nova para manter a memória fresca para o filme que tá chegando aí.  Lua Nova é a sequência de Crepúsculo. Porém para quem espera que Lua nova seja exatamente a mesma coisa de Crepúsculo, pode se decepcionar. Os fãs da família Cullen devem ter sofrido com a ausência da vampire family em boa parte da história.

È somente ilusão de ótica porque eles, Edward e Cia, estão lá o tempo todo. Seja na apatia de Bella, no seu amor impronunciável ou na sua dor calada e represada que insiste em extravasar.

Impossível não encontrar paralelos entre a história de amor de Bella e Edward e Romeu e Julieta. Inclusive esses dois últimos aparecem bem referenciados ao longo da trama. È perceptível a sensação de tragédia iminente a cada passagem. Em Lua Nova o foco está no conflito resultante da separação de Edward e Bella. O afastamento é devido mais ao senso de proteção de Edward em relação a Bella. Leia-se: Protegê-la dos outros vampiros e de si mesmo, uma vez que o sangue da moçoila lhe é doce e encantador por demais.

E a partir da decisão radical de Edward, presenciamos a dor de Bella e sua difícil transição da letargia para a ação, do crepúsculo para a lua nova. Ver uma Bella sofrida tornou-a mais humana aos meus olhos. Porque para mim ela é toda vampira, só não tem os dentes de fato. Mas em Lua Nova há uma Bella com um quê diferente. No contato com os outros e com Jacob, ela abandona um pouco sua essência gótica e me parece mais solar. Desculpem-me, gostei mais dela assim. E com Jacob, para ser mais clara. Sim, sou da torcida dele e vibro em favor do que eu acho que nunca vai acontecer: os dois juntos no final.

Não desgosto do Edward. Mesmo assim eu o acho muito condescendente e isso me dá nos nervos. Claro que ele é assim em razão de sua existência centenária que lhe confere essa maturidade impassível. Apesar de habitar em um belo corpo teen, a alma dele está há anos luz dessa idade juvenil. Óbvio que minha referência é o R. Pattison com seu rosto belo e, o que é melhor, diferente.

Bem, gostei mesmo foi de Volterra. A descrição da cidade italiana me levou para lá de olhos fechados. Depois de algumas googladas, descobri que, com ou sem Edward, eu gostaria de conhecer Volterra ao vivo e a cores. As passagens mais tensas do livro acontecem nesse lugar de imensa beleza medieval. Um charme só!

volterra

set
24

Olá! Eu sou Laudy.




O meu romacrepusculonce gracinha é

Crepúsculo de Stephenie Meyer. Editora Intrínseca.

É um romance gracinha porque tudo que uma mulher sonha em um homem está presente em Edward, carinho, compreensão, confiança e amor.
O romance é sobre amor de vampiros
O ápice é quando… Bella descobre que Edward é vampiro, mas está apaixonada por ele.

O romance tem trilha sonora? Sim.

 

 

Obrigada Laudy pela contribuição! E quanto a você, leitora do RG, Participe também! Envie para cá a o seu romance gracinha. Aquele romance que é a sua menina dos olhos em termos de literatura romântica. Siga para o link do formulário aqui. Ou, se preferir, conheça a Galeria das Gracinhas que está na barra lateral desse blog, clique na imagem e pegue já seu formulário. O RG agradece!
jul
06
E o outro post de hoje é para celebrar o talento de Lilly, uma grande fã da série outlander da Diana Gabaldon. O desenho abaixo reproduz o casamento de Jamie e Clare (série Outlander – Diana Gabaldon).

A passagem do casamento é uma das mais memoráveis do livro A viajante do tempo e vê-la expressa com tanto apuro no desenho acima, fez com que eu me transportasse de novo para aquele momento quando li a referida passagem pela primeira vez. Quem disse que não podemos viajar no tempo? Sim, foi uma viagem de retorno e resgate da narrativa e da mesma sensação de encantamento que sentir ao acompanhar o casamento inusitado e, ao mesmo tempo, belo de Jamie e Clare.

O desenho da Lilly demonstra que existem várias maneiras de se contar uma mesma história. Isto é, uma narrativa bem contada transcende o próprio campo literário e passa a nos pertencer a medida que nos deleita e nos comove. E o resultado se traduz naquilo que nossa imaginação é capaz de criar a partir da obra lida. Desse modo, o desenho da Lilly é a mais bela homenagem que gostaria de ser capaz de fazer também. Salve Lilly, parabéns por realizar um trabalho tão mais eloquente do que qualquer palavra.

Saca só o detalhe do lenço manchado de sangue remetendo ao voto de casamento que ambos fizeram: “Você é sangue do meu sangue e ossos dos meus ossos. Dou-lhe meu corpo, para que nós dois sejamos um só. Dou-lhe meu espírito, até o fim de nossas vidas”.

E o tartan que deu um trabalhão para ser feito, não é, Lilly? Trabalhão esse que se revelou um esforço recompensador cujo resultado extrema a sua delicadeza e sensibilidade aos detalhes. Lindo! Lindo! Parabéns.

Agradeço a Lilly que prontamente atendeu ao meu pedido em que expressei meu desejo de postar o desenho no RG. Aliás, estou ansiosa para ver o que mais virá de suas mãos e cérebro engenhosos.

E quem quiser acompanhar o seu trabalho é só clicar no link: http://lillywmw.livejournal.com/

Para ver a imagem em tamanho ampliado, siga para: http://lillywmw.livejournal.com/60321.html?#cutid2

Para acompanhar o que já escrevi sobre a série no RG clique aqui.

Que tal um resgate do trecho do capítulo “Um casamento é celebrado” – A viajante do tempo (Diana Gabaldon)?

Era um “quente” dia escocês, significando com isso que a névoa não estava suficientemente forte para ser qualificada de garoa, mas não muito longe disso, tampouco. De repente, a porta da estalagem se abriu e o sol surgiu, na pessoa de Jamie. Se eu era uma noiva radiante, o noivo era sem dúvida resplandecente. Fiquei de boca aberta e assim permaneci.
Um escocês das Highlands em roupas de gala é uma visão impressionante – qualquer um, por mais velho, feio ou desgracioso que seja. Um jovem escocês das Highlands, alto, empertigado e de forma alguma desgracioso, visto de perto é de se perder o fôlego.
Os fartos cabelos vermelho-dourados haviam sido escovados até adquirirem um aspecto brilhante e macio que roçava o colarinho de uma elegante camisa de linho fino
com a frente de pregas, mangas em forma de sino, punhos de babados enfeitados de renda, combinando com a cascata de babados e renda do jabô engomado, preso na altura da garganta e ornamentado com um alfinete de rubi.
Seu tartã era de um xadrez vermelho vivo e preto que ofuscava o mais sereno verde e branco dos MacKenzie. A lã flamejante, amarrada por um broche redondo de prata, caía de seu ombro direito num drapejo gracioso, preso por um cinto de espada cravejado de tachas de prata, antes de continuar seu volteio pelas panturrilhas elegantemente recobertas por meias de lã e parando logo acima das botas de couro preto com fivela de prata. Espada, adaga e bolsa de pele de texugo completavam o traje.
Com quase um metro e noventa de altura, de ombros largos e traços marcantes, ele estava longe de se parecer com o sujo domador de cavalos com quem eu estava acostumada – e ele sabia disso.
Com um gesto elegante, fez uma reverência impecável para mim, murmurando “A seu serviço, madame”, os olhos brilhando de malícia.
- Ah! – exclamei, quase desmaiando.
Nunca antes vira o taciturno Dougal embaraçado, sem conseguir encontrar palavras. As sobrancelhas grossas franzidas num rosto afogueado, parecia, a seu modo, tão surpreso quanto eu com essa aparição.
- Está louco, homem? — disse, finalmente. — E se alguém o vir? Jamie arqueou uma sobrancelha sarcasticamente para o homem mais velho.
— Ora, tio — disse. — Insultos? E além do mais no dia do meu casamento? Não ia querer que eu envergonhasse minha mulher, não é? Além disso – acrescentou com um brilho malicioso nos olhos -, acho que o casamento nem seria legítimo se eu não me casasse no meu próprio nome. E você quer que seja, não é?
Com um evidente esforço, Dougal recuperou seu autocontrole.
— Se já terminou, Jamie, podemos continuar – disse.
Mas Jamie ainda não havia terminado, ao que parecia. Ignorando a fúria de Dougal, retirou um colar de contas brancas de sua bolsa. Deu um passo à frente e fechou o colar em volta do meu pescoço. Olhando para baixo, pude ver que era um colar de pequenas pérolas barrocas, aquelas contas de forma irregular que são produto de moluscos de água doce, entremeadas com minúsculas contas de ouro. Pérolas menores pendiam das contas de ouro.
- São apenas pérolas escocesas – disse, desculpando-se -, mas ficam lindas em você. – Seus dedos demoraram-se um pouco no meu pescoço.
— Essas pérolas eram de sua mãe! — disse Dougal, olhando para as pérolas com ar ameaçador.
- Sim – disse Jamie calmamente. – E agora são de minha mulher. Podemos ir?
Onde quer que estivéssemos indo, ficava a alguma distância da vila. Formávamos um grupo de casamento um tanto carrancudo, o casal de noivos rodeados pelos demais como condenados que estavam sendo escoltados para alguma prisão distante. A única conversa foi uma desculpa de Jamie, em voz baixa, por ter chegado atrasado, explicando que houve alguma dificuldade em encontrar uma camisa limpa e um casaco grande que coubesse nele.
- Acho que esta pertence ao filho do escudeiro local – disse, agitando o jabô de renda.
- Um pouco almofadinha, me parece.
Desmontamos e deixamos os cavalos no sopé de um pequeno monte. Uma trilha em meio às urzes levava para cima.
- Tomou todas as providências? – ouvi Dougal dizer em voz baixa para Rupert, quando amarravam os animais.
- Ah, sim. – Viu-se um clarão de dentes na barba negra. – Foi um pouco difícil convencer o padre, mas nós lhe mostramos a licença especial- Bateu na bolsa à cintura, que retiniu musicalmente, dando-me uma idéia da natureza da licença especial.
Em meio à garoa e à névoa, avistei a capela projetando-se das urzes. Com uma sensação de completa incredulidade, vi a cúpula arredondada e as estranhas janelas com muitas vidraças pequenas, que eu vira na brilhante manhã ensolarada do meu casamento com Frank Randall.
- Não! — exclamei. — Aqui não! Não posso!
- Shh, vamos, shh. Não se preocupe, dona, não se preocupe. Tudo vai dar certo. -Dougal colocou a mão grande sobre meu ombro, produzindo sons tranqüilizadores em escocês, como se eu fosse um cavalo arisco. – É natural um pouco de nervosismo — disse para todos nós. A outra mão firme na minha cintura instava-me a continuarsubindo a trilha. Meus sapatos afundavam-se na camada úmida de folhas caídas.
Jamie e Dougal caminhavam junto a mim, um de cada lado, para evitar uma fuga. Suas dominantes presenças eram intimidantes e senti uma crescente sensação de histeria. Duzentos anos à frente, mais ou menos, eu me casara naquela capela, encantada na época com sua natureza antiga e pitoresca. A capela agora estava estalando de nova, as tábuas ainda não estavam assentadas com aquele charme que iria adquirir ao longo do tempo, e eu estava prestes a casar com um escocês de vinte e três anos, católico e virgem, com a cabeça a prêmio, cujo…
Virei-me para Jamie, repentinamente em pânico.
- Não posso me casar com você! Eu nem sei seu sobrenome!
Olhou para mim e arqueou uma sobrancelha ruiva.
- Ah. É Fraser. James Alexander Malcolm MacKenzie Fraser. — Pronunciou-o formalmente, cada nome devagar e distintamente.
Completamente perturbada, eu disse, estendendo a mão tolamente.
- Claire Elizabeth Beauchamp.
Aparentemente tomando o gesto como um pedido de apoio, segurou minha mão e enfiou-a firmemente na dobra do seu braço. Assim irremediavelmente presa, continuei caminhando em silêncio para o meu casamento.
Rupert e Murtagh esperavam por nós na capela, montando guarda ao lado do padre prisioneiro, um jovem sacerdote alto e magro, com um nariz vermelho e uma expressão justificadamente aterrorizada. Rupert indolentemente tirava lascas de um raminho de salgueiro com uma faca grande e, embora tivesse posto de lado suas pistolas de cabo de chifre quando entrou na igreja, elas permaneciam ao alcance da mão na beira da pia batismal.
Os outros homens também se desarmaram, como era próprio na casa de Deus, deixando uma pilha de letalidade impressionantemente rutilante no banco da igreja. Somente Jamie conservou sua adaga e sua espada, provavelmente como uma parte cerimonial de seu traje.
Ajoelhamo-nos diante do altar de madeira, Murtagh e Dougal assumiam seus lugares como testemunhas e a cerimônia começou. O formato da cerimônia de casamento católica não mudou muito em várias centenas de anos e as palavras unindo-me ao estranho ruivo a meu lado, eram basicamente as mesmas que haviam consagrado meu casamento com Frank. Sentia-me como uma concha oca e fria.
As palavras balbuciadas pelo jovem padre ecoavam em algum lugar vazio da boca do meu estômago.Levantei-me automaticamente quando chegou a hora dos votos observando numa espécie de entorpecido fascínio meus dedos gelados desaparecerem nas mãos poderosas do meu noivo. Seus dedos estavam tão frios quanto os meus e ocorreu-me pela primeira vez que, apesar da aparência exterior calma, ele devia estar tão nervoso quanto eu.
Até então eu evitara olhar para ele, mas agora ergui os olhos e deparei-me com ele fitando-me intensamente. Seu rosto estava lívido e cuidadosamente impassível; tinha a mesma expressão de quando eu tratara o ferimento em seu ombro. Tentei sorrir-lhe, mas os cantos da minha boca oscilaram precariamente. A pressão dos seus dedos nos meus aumentou. Tive a impressão de que um estava sustentando o outro; se um de nós soltasse a mão ou desviasse os olhos, ambos cairiam. Estranhamente, a sensação era reconfortante.
Onde quer que estivéssemos nos metendo, ao menos estávamos juntos nisso.
— Eu a aceito, Claire, como minha esposa… — Sua voz não tremia, mas sua mão sim.
Segurei seus dedos com mais força. Nossos dedos rígidos apertavam-se como tábuas num torno de bancada. -…amar, honrar e proteger… nos bons e nos maus
momentos… – As palavras vinham de longe. O sangue esvaía-se da minha cabeça. O corpete com barbatanas era infernalmente justo e, embora eu sentisse frio, o suor escorria pelo meu corpo por baixo do cetim. Esperava não desmaiar.
Havia uma pequena janela de vitral bem alta na parede ao lado do santuário, uma representação rústica de São João Batista com sua capa de pele de urso. Sombras verdes e azuis flutuavam sobre a manga do meu vestido, fazendo-me lembrar do salão da taberna e desejei um drinque fervorosamente. Minha vez. Gaguejei um
pouco, o que me deixou furiosa.
- Eu o recebo, James… – Empertiguei-me. Jamie terminara a sua parte com bastante credibilidade. Eu poderia tentar fazer o mesmo. -…para amar e proteger, de hoje em diante… – Minha voz fortaleceu-se.- Até que a morte nos separe. – As palavras ressoaram na capela silenciosa com um caráter surpreendentemente definitivo. Tudo estava imóvel, como uma imagem congelada. Então, o sacerdote pediu a aliança.
Houve uma agitação repentina e, de relance, vi a expressão arrasada no rosto de Murtagh. Mal registrei o fato de que alguém se esquecera de providenciar um anel, quando Jamie soltou minha mão o tempo suficiente para retirar um anel do próprio dedo.
Eu ainda usava a aliança de Frank na mão esquerda. Os dedos da mão direita pareciam congelados, descorados e rígidos na mancha de luz azul, quando um largo aro de metal passou pelo meu dedo anular. Ficou solto no dedo e teria caído se Jamie não dobrasse meus dedos e envolvesse minha mão fechada outra vez na sua.
Mais murmúrios do padre e Jamie inclinou-se para beijar-me. Era óbvio que ele pretendia apenas um breve e formal toque de lábios, mas sua boca era macia e quente e eu instintivamente me aproximei e correspondi Percebi vagamente alguns ruídos, gritos escoceses de entusiasmo e incentivo da platéia, mas na verdade não notei nada além da envolvente e cálida solidez dos seus lábios.
Separamo-nos, ambos um pouco mais serenos, e sorri nervosamente. Vi Dougal tirar a adaga de Jamie da bainha e perguntei-me qual seria a razão. Ainda olhando para mim, Jamie estendeu a mão direita, palma para cima. Prendi o ar de repente quando a ponta da adaga fez um corte profundo em seu pulso, deixando uma linha escura do sangue que aflorava. Não houve tempo de recuar antes que a minha própria mão fosse agarrada e eu sentisse o corte ardente da lâmina. Rapidamente, Dougal pressionou meu pulso ao de Jamie e enfaixou-os juntos com uma tira de linho branco.Devo ter cambaleado um pouco, porque Jamie segurou-me pelo braço com a mão esquerda livre.
- Agüente firme – disse baixinho. – Falta pouco agora. Repita as palavras depois de mim. — Era um pequeno texto em gaélico, duas ou três frases. As palavras não significavam nada para mim, mas as repeti obedientemente depois de Jamie, tropeçando nas vogais escorregadias. A tira de linho foi desamarrada, os cortes enxugados e limpos, e estávamos casados.
Havia uma sensação geral de alívio e satisfação no caminho de volta pela trilha. Parecia uma alegre festa de casamento qualquer, apesar de pequena, e composta inteiramente de homens, à exceção da noiva. Estávamos quase ao sopé da colina, quando a falta de comida, os remanescentes de uma ressaca e o estresse geral do dia me venceram. Deitei-me nas folhas úmidas, a cabeça no colo do meu novo marido. Ele colocou de lado o pano úmido com que estivera limpando meu rosto.
- Foi tão ruim assim? – perguntou rindo para mim, mas seus olhos guardavam uma certa expressão que me sensibilizou, apesar de tudo. Sorri tremulamente em resposta.
- Não é você – afirmei. – É que… acho que não comi nada desde o desjejum de ontem. E receio que tenha bebido muito.
Sua boca contraiu-se.
- Ouvi dizer. Bem, isso eu posso remediar. Não tenho muito a oferecer a uma esposa, como eu disse, mas prometo que vou mantê-la alimentada. – Sorriu e timidamente afastou com o dedo indicador um cacho caído em meu rosto.
Comecei a me sentar e fiz uma careta diante de uma leve queimação no meu pulso. Havia me esquecido dessa última parte da cerimônia. O corte se abrira, sem dúvida em resultado da queda que eu sofrera. Peguei o pano de Jamie e amarrei-o desajeitadamente em volta do pulso.
- Achei que fora isso que a fez desmaiar – disse, observando. – Eu deveria tê-la avisado; não percebi que não estava esperando por isso até ver seu rosto.
- O que era, exatamente? – perguntei, tentando enfiar as pontas por baixo do pano.
- É um pouco pagão, mas é tradição por aqui fazer um voto de sangue, juntamente com a cerimônia normal. Alguns padres não a aceitam mas acho que esse não iria se opor a nada. Parecia tão assustado quanto eu me sentia — disse, sorrindo.
- Um voto de sangue? O que as palavras significavam?
Jamie segurou minha mão direita e delicadamente prendeu a ponta da atadura improvisada.
- Dizem o seguinte:Você é sangue do meu sangue e ossos dos meus ossos. Dou-lhe meu corpo, para que nós dois sejamos um só. Dou-lhe meu espírito, até o fim de nossas vidas. Encolheu os ombros.- Mais ou menos como os votos normais,
apenas um pouco mais… ah, primitivos. Olhei para meu pulso enfaixado.- Sim, acho que se pode dizer isso.
Olhei ao redor; estávamos sozinhos na trilha, sob um álamo. As folhas arredondadas,. mortas, espalhavam-se pelo chão, brilhando na umidade como moedas enferrujadas. Estava muito silencioso, exceto pelo respingo ocasional de gotas d’água caindo das árvores.
- Onde estão os outros? Voltaram para a hospedaria?
Jamie fez uma careta. -Não. Eu mandei que se afastassem para poder cuidar de você, mas estarão esperando por nós logo ali embaixo. — Indicou com um movimento do queixo, à moda de um homem do campo.
- Não vão nos deixar sozinhos até que tudo esteja oficializado.
- É mesmo? — disse, sem compreender. – Estamos casados, não estamos. Ele pareceu constrangido, desviando o rosto e cuidadosamente afastando folhas mortas de seu kilt.
- Hum, hum. Sim, estamos casados, sem dúvida. Mas não está sacramentado, sabe, enquanto não for consumado. – Um rubor lento e intenso subiu de seu jabô de renda.
- Hum, hum – repeti. – Vamos procurar alguma coisa para comer.

jun
01
O primeiro trailer de Lua Nova. Boas impressões no ar. Gostei! Bem, que minha irmã me disse que o ator que faz o Jacob devia cortar as madeixas. Resultado: Bons pêlos e apelos no ar. Acho que vou desencaixotar meu exemplar de Lua Nova para ler. Essa que vos fala quer acompanhar o livro junto com a chegada do filme e, por isso, não leu o segundo livro. È que preciso de base memorial para assistir o filme…hehehe Bem, aí está o trailer:

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jun
01

Nas sombras da noite, em Caldwell (Nova York), desenrola-se uma silenciosa e cruel guerra entre os vampiros e seus algozes. E existe uma irmandade secreta de seis vampiros guerreiros, os defensores de toda sua raça. Nenhum deles deseja aniquilar seus inimigos com tanta fúria quanto Wrath, o campeão da Irmandade da Adaga Negra…
Wrath, o vampiro de raça mais pura dos que ainda povoam a terra, tem uma dívida pendente com os que, há séculos, mataram seus pais. Quando um de seus mais fiéis guerreiros é morto, deixando órfã a uma moça mestiça (meio humano, meio vampira), ignorante de sua herança e seu destino, não resta alternativa que não arrastar bela jovem ao mundo dos vampiros.
Traída pela debilidade de seu corpo, Beth Randall se vê impotente para resistir os avanços desse desconhecido, incrivelmente atraente, que a visita cada noite, envolto nas sombras. Suas histórias sobre a Irmandade a aterrorizam e a fascinam… e seu simples toque faz com que se acenda a faísca de um fogo que pode acabar consumindo aos dois.
****Atenção! Post grande e com spoilers…;)*****
Conforme prometido há um bom tempo atrás, esse post é dedicado a Karyne. Pensou que eu me esqueci, Ka? Enfim, o seu entusiasmo— assim como o de muitas amigas queridas, Gis, Rê e Jê, entre outras — motivou-me a ler o primeiro livro da Irmandade da Adaga Negra. Não sei se conseguirei expressar o entusiasmo de vocês, meninas. Considero-me uma iniciante em livros paranormais, mas atrevo-me a dizer que Dark Lover faz jus ao status de épico paranormal, se é que o termo existe. Se não, considere-se inventado. :P


De bate-pronto fiquei chocada com a figura dos vampiros da irmandade. Quantos machos de aparência e aparição escandalizantes num só lugar! Foi uma surpresa também deparar-me com seus excêntricos nomes. Afinal, existe uma correlação estrita entre seus nomes e seus temperamentos. Preste atenção Wrath (Ira), Rhage (raiva), Phury (Fúria), Zsadist (sádico), Tohrment (tormento), Vishous (Vício). Hmmm…será que me esqueci de alguém? Enfim, elenquei-os só para aludir a escolha dos nomes feita pela autora. Ela mata com uma só cajadada o esforço de descrever seus perfis, né? Boa jogada ainda que tal coleção de nomes me remeta a reunião daqueles tipos estranhos que integram uma banda de rock…hehehe

Surpresa maior me veio da constatação de que o pessoal da irmandade não são apenas os vampiros da tradição lendária que comumente conhecemos. Não, os personagens vampíricos são desenhados com contornos multidimensionais. Podem ser implacáveis e justos, combalidos e fortes, destemidos e perturbados, e tantas outras características intrigantes que são seus pontos fortes. Claro, todos levam consigo a máscara maquiavélica peculiar às suas condições vampíricas, no entanto, em latência (não li os outros livros da sequência, mas é o que se supõe) a capacidade para amar está também presente.

A irmandade é o toque de mestre da trama. Não é a toa que a irmandade reunida (desculpe-me a redundância) foi responsável pelas melhores passagens da história. O que é a Irmandade da Adaga Negra? È uma espécie liga da justiça vampírica composta pelos seis magníficos citados acima. Todos eles detêm poderes especiais que os ajudam a enfrentar perigos inimagináveis com o fim de manterem-se vivos e também aos seus. Sob a liderança de Wrath, suas forças são invencíveis, sempre prontas para a ação no melhor ritmo velozes e furiosos.

Detalhe: Os vampiros, apesar de uma pá de milênios de anos que levam nas costas, são moderníssimos. Curtem rap, carros velozes, roupas de grife e manejam armas de última geração.

Além de tudo o que citei, tem o humor sarcástico presente e a ação sempre rápida a tirar-nos o fôlego. Há também subtramas paralelas como o romance entre um policial e uma vampira, Butch e Marissa. Aliás, adorei os dois e achei um charme à maneira como se apaixonaram. Ambos despreparados para lidar com a situação, mas honestos um para com o outro. Eu que pensei que Marissa seria uma injustiçada na história, fiquei feliz com os encaminhamentos dispensados à personagem.

Uma amiga querida relatou-me ter uma cisma com Wrath pelo tratamento dispensado a Marissa, ao que eu respondi que ele não podia levar a culpa por não amá-la mesmo que ela tivesse sido a fonte de energia vital na qual ele se renovava, fonte a qual lhe dava condições para ser o Wraht forte que todos esperavam que fosse.

Minha amiga, então, levantou o debate: Uma vez que essa era a única condição de vida para Marissa, ele não podida ter feito isso com ela. È uma espécie de traição da parte dele.

E eu fiquei pensando….de fato, acho que o rechaço não intencional de Wrath, serviu para Marissa como uma espécie de Morte. Um vazio enorme pois, sua perspectiva de vida vampírica após ser desprezada, era nula, sem vislumbre de outras possibilidades. E quando surge ante seus olhos a perspectiva Butch , é como sendo o sopro de vida que lhe faltava: O marco de seu renascimento. E por isso, achei o romance entre os dois ainda mais bonito. E temos, então, uma mensagem entrelinhada de que na cultura vampírica também existe a possibilidade da quebra de tradições.

Agora eu vou falar da minha cisma com relação a Wrath. Vou te contar, não simpatizei muito com seu machismo acentuado por seu caráter sombrio e carrancudo. Todas as células do meu corpo entram em combate a menor iminência de machismo. E, desde já, acho que Wrath não vai ser meu predileto. Eu que pensei que os macho-alfas estavam se aposentando….rs Brincadeirinha, depois Wrath demonstrou não estar engessado em nenhum tipo de rótulo ou comportamento. E o lado inseguro dele, mostrou o reverso de seu lado rei, e ele se humanizou mais frente aos meus olhos, se é que se tratando de um vampiro, isso seja possível.

Bem, resta falar sobre o romance principal. O início do relacionamento entre Wrath e Beth é bombástico. Aquele lance erótico que vai do cheiro ao toque, o impulso impossível de refrear que desencadeia a primeira noite apaixonada entre os dois foi…bombástico. Depois do sexo bombástico, a medida que se conhecem, ambos descobrem-se in Love descortinando todo lado terno e permanente do amor a toda a prova.

Destaques: Um conjunto de termos e expressões correntes do mundo paranormal em forma de glossário ( apesar de que não precisava porque a narrativa da autora está muito boa e se encarrega de explicar cada termo no próprio contexto da trama), as cerimônias da irmandade e seus rituais, a transição de Beth de humana para vampira e seu casamento com Wraht, Marissa e Butch.


Pergunta que não calar: Que história é essa de Lessers cheirando a talco de bebês? Não entendi a piada. Alguém?

E tem mais Irmandade da Adaga Negra no Um livro no chá das cinco. Passa lá!