Mais um daqueles casos em que a sinopse costuma ser mais atraente do que o livro em si. No que diz respeito ao aspecto medieval é possível encontrar um certo respaldo histórico ainda que apresente alguns equívocos aqui e ali. No entanto, um romance ficcional não se faz apenas de uma documentação plausível. É preciso acrescentar ingredientes que instigue a emoção do leitor. Em uma leitura arrastada e cansativa, vi escassos momentos de aventura. Pareceu-me a supremacia da técnica em detrimento da emoção. E é aí onde o bicho pega, isto é, onde a autora se perde. A aventura que pretendia ser de “capa e espada” é contada de forma tão apagada e desprovida de brilho que chega a causar bocejos. A história simplesmente não se desenrola. O tempo todo acontece um clímax na história que, ao invés de nos transpor para outros momentos e cenários, inexplicavelmente faz com tudo volte ao ponto de origem, como se nada tivesse acontecido. Ou seja, Aalis fugia, corria em meio aos perigos do desconhecido com o fim de alcançar seu objetivo de independência, mas a impressão é a de que ela ficava sempre no mesmo lugar: encurralada na zona de desespero de não saber-se independente como mulher, onde enfim pudesse decidir seu próprio destino.
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Elza é a heroína que não chegou a ser, a anti-heroína que não chegou a ser. Você entende? Um personagem sem narrativa, uma peça de formato grotesco. Impossível encaixar Elza em qualquer tabuleiro: nem à direita nem à esquerda, nem em cima nem embaixo. Não era para ela estar ali. Elza só nos resta lamentar, como um acidente. Sua morte não oferece possibilidade de redenção, é uma morte torpe. Elza morreu como uma cadelinha por engano, por esporte, por despeito, por nada. Ninguém a vingou, a própria idéia de vinga-la é inconcebível. Vingar como? Toda vingança histórica é um epílogo, um grand finale que nos obriga a reescrever a narrativa pregressa a partir desse cabo, transformando injustiça em justiça, caos, em ordem. Como fazer isso com Elza? Em que história ela ficaria confortável? Em que história, me diz?
Elza, A Garota é uma narrativa original, inventiva e com altas doses de esforço imaginativo. Um tipo de romance difícil de definir em razão da característica acentuada de “docudrama” que o texto apresenta. Seria um romance híbrido? Um romance-verdade? Um romance histórico? È melhor deixá-lo ser um romance por si só sem a necessidade de outros rótulos para acompanhá-lo. Na verdade, tem-se a combinação perfeita entre literatura e jornalismo como que a evidenciar a linha tênue entre realidade e ficção. Sábia decisão de Sérgio Rodrigues que, visualizando matéria-prima rica o bastante para um romance, evitou reduzi-lo a um trabalho não ficcional. Com isso, ganha o leitor ao ter em mãos um romance com substância suficiente para ser analítico e ao mesmo tempo apaixonado. È um livro cuja narrativa é muito diferente do que já li; com a contextura de thriller, suspense, história trazendo também à luz os pequenos ardis da paixão, elementos do nosso tão apreciado universo literário romanesco.
Mesmo desconhecendo por completo a história de Elza, não pus resistência a oportunidade de conhecê-la por intermédio do livro. Afinal, a pouca repercussão histórica de quem foi Elza não anula a importância da vida dessa menina que, vivendo tão pouco (supostamente 16 anos!), é tão abundante para explicar acerca de quem somos nós, brasileiros, hoje.
Saiba mais dessa história clicando no link a seguir:
Resgatando um dos personagens do clássico Mulherzinhas, de Louisa May Alcott, Geraldine Brooks conta neste livro a história do senhor March, marido e pai ausente que vê seus ideais se perderem após vivenciar as sanguinolentas batalhas da Guerra Civil americana. À medida que o Norte sofre uma série de derrotas inesperadas durante o primeiro ano da guerra, o senhor March se vê obrigado a abandonar a família para defender a causa da União. Essa experiência acaba ocasionando uma mudança brusca em seu casamento e em sua vida, e desafia suas mais profundas crenças. Comovente, este romance muito bem entrelaçado adiciona uma reflexão adulta para o romance otimista de Alcott.Fiquei muito feliz pela oportunidade de ler O senhor March porque As mulherzinhas de Louisa May Alcott é uma espécie de passaporte para o meu reencontro com a minha infância. Quando O senhor March chegou em minhas mãos, temi me decepcionar de alguma maneira. Eu sempre achei um esforço ousado retomar um clássico da literatura universal do porte de As mulherzinhas de Louise May Alcott, mas Geraldine Brooks cumpriu a missão com excelência.
Interessante como um clássico é capaz de se desmembrar em novas releituras, romances paralelos e derivativos. A possibilidade de destrinchar as lacunas para a imaginação preencher além da possibilidade de revisitar personagens familiares e queridos, é um forte motivador da curiosidade. E de fato, fiquei curiosa sobre o que estava por vir. E a propósito, não me decepcionei.
Soube que Brooks se inspirou no pai (Mr. Bronson) da própria Louise May Alcott para dar voz ao idealista Mr. March. Creio que isso deu maior veracidade ao personagem que, durante a maior parte da narrativa, está em confronto entre o seu idealismo e as agruras e fealdades da guerra. Durante a narrativa, são inúmeros os fatos que nos possibilita refletir sobre os conflitos norte versus sul, abolicionismo versus escravidão, brancos versus negros, e tantos outros temas de um complexo fundo sociológico gerado em um desastroso período da história americana. A autora fez uma excelente trabalho ao explorar a forma como a guerra e a distância por tanto tempo da família afetou a vida do senhor March. Dizer que foi traumático é ser redundante. Mas, me faltam palavras.
Faço questão de destacar as partes finais do livro que são muito comoventes. Para mim, as melhores partes do livro estão presentes ali e vale a pena conferir. Ao término da leitura pude constatar que O senhor March é sim uma obra capaz de subsistir independente da obra original. È claro que a familiaridade com a obra As mulherzinhas é uma pedida interessante para enriquecer a leitura, possibilitar comparações e respaldar avaliações. No entanto, vale ressaltar que mesmo para quem nunca leu um livro de Alcott é possível consumir a obra sem prejuízo algum de entendimento. E sendo assim, eu recomendo!
E para saber mais, clique no site do livro: http://www.osenhormarch.com.br/home.asp

And she is now! Bem-vinda, Gracinha da vez!
Olá, eu sou a Debora
Blog: http://leituranossa.blogspot.com/
O meu romance gracinha é Lenda escrito por Jude Deveraux. Editora Bertrand
É um romance gracinha porque é criativo, surpreendente, romântico e conta com dois personagens masculinos que são tudo de bom… envolve temas como viagem no tempo e reencarnação…
O romance é sobre uma famosa chef de cozinha que vai se casar com Gregory Norman, o homem de seus sonhos e filho da proprietária do restaurante onde trabalha. Apaixonada por antiguidades, arremata, numa loja, um jogo de velhas latas de cozinha para decorar a sua casa. Kady nem imagina que dentro de uma das latas encontra-se um maravilhoso vestido de noiva em perfeito estado, acompanhado de uma jóia e de um delicado véu de renda finíssima. Muito menos suspeita que, ao vesti-lo, viajará no tempo e chegará à pequena cidade de Lenda, no Colorado, onde testemunhará e evitará o enforcamento de um homem. Kady não terá mais certeza de nada, nem saberá mais com quem irá se casar. Será com Gregory, seu atual noivo? Com Cole Jordan, o homem que quase morreu enforcado e ela salvou em Lenda? Ou com o misterioso homem, de rosto semi-encoberto, vestido com roupas escuras e montando um cavalo branco, que freqüentou seus sonhos durante toda a sua vida?
E quanto a você, leitora do RG, Participe também! Envie para cá a o seu romance gracinha. Aquele romance que é a sua menina dos olhos em termos de literatura romântica. Siga para o link do formulário aqui. Ou, se preferir, conheça a Galeria das Gracinhas que está na barra lateral desse blog, clique na imagem e pegue já seu formulário. O RG bate palmas para você!As impressões, dramas e sonhos amorosos de três mulheres chinesas do séculoXVII,relatados em um livro precursor, serviram de mote para o novo romanceda aclamada autora sino-americana Lisa See. Fascinada pelo ineditismo da publicação, Lisa See mergulha em ampla pesquisa histórica sobre os desafios das mulheres chinesas para serem ouvidas e respeitadas em seus relacionamentos para dar forma ao romance As palavras do amor, uma inesquecível viagem de desejo, angústia, prazer e dor pelo universo feminino.No século XVII, havia mais mulheres escritoras na China do que em todos os demais países do mundo juntos. Elas também eram grandes leitoras e cresciam apaixonadas pela história da jovem donzela que toma as rédeas do próprio destino e prefere morrer de amor, na ópera O pavilhão de Peônia, de 1598, a se sujeitar a um casamento arranjado pela família. Elas não tinham autorização para assistir à encenação do espetáculo, mas podiam acompanhar sua versão escrita. Três dessas mulheres, que foram, coincidentemente, casadas com o mesmo homem, uma após a outra, relataram em livro, Comentários das três esposas, seus dilemas amorosos depois das provocações causadas pela leitura da ópera.Lisa See parte desses dados históricos e acrescenta a eles elementos de ficção para escrever o romance As palavras do amor. No livro, a jovem Peônia, de 16 anos, sonha descobrir o amor embalada pela história da donzela Liniang, personagem central da ópera de Tang Xianzu. Mas, na China do século XVII, das Dinastias Ming e Quing, as meninas eram destinadas a casamentos acertados por suas famílias. Mesmo na casa dos Chen, uma abastada família de Hangzhou cujas mulheres tinham acesso à educação e à cultura, as regras não eram diferentes.


















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