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fev
28

 

Um pouco sobre o mim

Eu sou o (a): Rê Lima

Moro em (Cidade/Estado – UF):

Na net, você me encontra: http://incubadoraliteraria.blogspot.com/

http://romancegracinha.com/
http://janefirifirifane.tumblr.com/

Neste mês, eu li:

picture2life_26762_originalTítulo: Penélope

Autor do livro: Marilyn Kaye

Editora: Galera Record

Nº de páginas: 236 p

 

O livro é sobre…

a história de uma garota normal com sentimentos, inseguranças e emoções comuns a todas as meninas da sua idade, a não ser por um detalhe que a torna incomum perante os olhos da sociedade: ter nascido com um nariz de porco decorrente de uma antiga maldição lançada por uma bruxa.

A partir daí, nossa personagem, conhecida por Penélope,  terá de superar os seus medos e se  aceitar como  de fato é para encontrar a felicidade.

 

Eu escolhi este livro porque…

 

A capa do livro me chamou atenção. Achei-a linda. E  ao ler a sinopse da história fiquei curiosa para saber como seria contado esse conto de fadas versão moderna.

 

A leitura foi…

 

Muito fácil e o livro é agradável de ler. Possui letras adequadas e do tamanho ideal para uma leitura cômoda. A história é repleta de diálogos. A autora faz uso de uma linguagem simples e consegue narrar todos os acontecimentos ao ponto de pensarmos que estamos  assistindo ao filme. Isso mesmo, a história da garota porca foi para telona tendo no papel principal a atriz hollywoodiana Christina Ricci.

Eu não vi a versão para o cinema, mas fiquei curiosa para assistir e ver se a adaptação se manteve fiel à obra literária.

O livro, por muitas vezes, me dá impressão de ter sido escrito para um público  adolescente. No entanto, a narrativa encanta adultos também.
Com pitadas de humor e ironia, a história se desenrola e não se arrasta. Em uma sentada é possível ler o livro.
Como em quase todos os contos de fadas, e esse não fugiu a regra, o mocinho e a mocinha ficam juntos no final (não contei nada demais). Na verdade, o final não me agradou porque a autora não desenvolveu o desfecho da história. Faltou o cuidado em se trabalhar melhor o encontro dos proganistas. A autora não conseguiu passar a aura de magia e alimentar a expectativa do leitor por um final mais emocionante, mesmo que esse  final seja o óbvio  “enfim, todos ficaram felizes para sempre. A obra  é modesta,  não traz originalidade na abordagem da temática conto de fadas. No entanto, me fez refletir até que ponto não somos um pouco Penelopes, na medida em que padronizamos o nosso jeito de ser para sermos aceitos (as)  em uma sociedade que valoriza mais o ter do que o ser. Somos obrigados a refletir o que é imposto, sem pensarmos que aquilo que nos diferencia é a nossa verdadeira identidade. E assim, aceitamos com facilidade que é preciso mudar a cor do cabelo, o formato do nariz , o tamanho da orelha, o tamanho dos seios, ter um corpo capa de revista a custa de cirurgias e assim vamos nos descaracterizando.
O livro, é claro, não aborda tão profundamente a temática, talvez para não tornar a história tão pesada. No entanto, consegue alcançar o objetivo a que se propõe, ou seja, diversão pura e simples sem maiores pretensões.
POSTER DO FILME
o_penelope

A nota que eu dou para o livro: 4/5


Eu mudaria o final do livro:

Penélope continuaria com o seu lindo e belo nariz de porco. E todos os rapazes se enamorariam da sua beleza singular.
Johnny, o seu prìncipe encantado, a aceitaria da forma como ela era. O feitiço não seria desfeito. Eles dois se casariam e teriam lindos bebês com nariz de porco.

Trailer do filme legendado:


fev
28

picture2life_00000_originalTema: Contos de Fadas revisitado

Mês: fevereiro/210

Título: Lanark: Uma vida em quatro livros

Autor do livro: Alasdair Gray

Editora: Record

Nº de páginas: 655

Quando seu romance estréia, ‘Lanark’, foi lançado, Alasdair Gray ganhou a fama de melhor escritor escocês desde Walter Scott e o livro se tornou a mais influente obra escocesa da segunda metade do século XX. Um trabalho de intensa imaginação e largo alcance, cujas técnicas de narrativa semeiam uma mensagem profunda, tanto no campo pessoal quanto no político. Esta obra trata da incapacidade humana de amar e a compulsão de tentar encontrar o amor verdadeiro. É um épico moderno, apocalíptico e experimental, realista e fantástico, repleto de narrativas lúdicas. Publicado originalmente em 1981, o livro é uma mistura de diversos gêneros, aparentemente díspares – do conto até a novela, passando por fantasia, ficção científica, autobiografia, crítica literária e realismo.

O livro é sobre a história da vida de Lanark. No primeiro capítulo Lanark, sem passado e sem nome, chega numa cidade estranha onde não há luz do dia e as pessoas são dominadas por um poder invisível a determinar seu modo vida.  Nesse lugar, as pessoas são acometidas de doenças estranhas. No caso de Lanark, por exemplo, seu braço é coberto de escamas de dragão e no lugar da mão, o que se vê é uma pesada garra do mesmo animal.  De forma simbólica, a doença  em Lanark representa sua alma e espírito revestidos de uma couraça em que nada ou ninguém o possa atingir.  Obviamente, a evolução da doença em Lanark significa a perda de sua essência, de sua identidade, de sua humanidade. Paira a pergunta: Lanark será curado?  Antes de sabê-lo, o leitor deverá acompanhar a história de sua vida do início ao fim.  De forma instigante e original, o autor nos leva a percorrer com Lanark a via difícil, sofrida e inglória de quem resiste a ser coisificado. Seja por convicção, coragem moral ou espiritual, a esperança continua sendo a melhor opção.

Eu escolhi este livro porque…

Sua boa fama o precede. Isso foi o  que instigou a minha curiosidade.  Além disso, a leitura calhou com a ocasião do desafio literário de fevereiro uma vez que a narrativa acontece em um universo maravilhoso e fantasioso.

A leitura foi uma experiência fantástica. O livro está além de qualquer definição. A começar por sua estrutura não-linear onde a história começa pelo livro 3 (E com o prólogo no meio!). Esse aspecto inusitado soou como novidade para mim. O livro é complexo, sem sincronia, porém não menos divertido. Acima de tudo nos inspira por tratar de temas que nos são caros. Fala do amor, dos sonhos e da liberdade ofuscados pela circulo vicioso de uma cultura castradora do indivíduo.  Com certeza é  um livro que exige várias releituras para melhor compreendê-lo.

È  5/5!

fev
01

Ficha de Leitura

Tema: Livros de banca

Mês: Janeiro


Um pouco sobre o mim

Eu sou o (a): Rê Lima

Moro em (Cidade/Estado – UF): Brasília/DF

Na net, você me encontra (Blog ou Site):

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Neste mês, eu li:

picture2life_00000_originalTítulo: A PRINCESA RAPTADA

Nº de páginas: 285p

O livro é sobre…Príncipes e princesas. A sinopse introdutiva que consta na contracapa do livro resume da seguinte forma a história: “Era uma vez uma princesa, que despareceu sem deixar rastros….até o dia em que um príncipe a encontrou e a trouxe de volta”

Histórias de príncipes e princesas sempre iniciam com o Era uma vez…

Não poderia ser diferente ou poderia?

Confesso que apenas a chamada introdutória do livro não me fez comprar a idéia da história. Pensei: “ Mais  uma história de príncipes e princesas”. Resolvi ler o restante da sinopse. Agradou-me um pouco mais, mas não me dei por convencida. Resolvi pagar para ver.

Então aceitei o convite e me imergir na Escócia de 1810. Ali, conheci Sorcha, herdeira do trono de Beaumontagne que para fugir da revolução em seu país fora mandada para um convento escocês. Em companhia das freiras seguia com sua vida tranquilamente. Longe de todos os pecados da carne (será?) até que em seu caminho surge um pescador esquisito que logo se encanta por ela. Na verdade, o tal pescador é o príncipe Rainger.  O jovem príncipe é incumbido de protegê-la e levá-la de volta, em segurança,  para Beumontagne. O príncipe também sonha reconquistar o seu país e governar junto com a amada. Mas, até lá, esses dois irão se envolver em aventuras, confusões, brigas, beijos, abraços, amassos, beijos, brigas e muito mais. Já deu para imaginar, não?

Pois é,  minhas caras e meus caros, essa é a história contada em uma versão fast food. Se quiserem experimentá-la com mais, digamos sabor,  terão de ler o livro.

Eu escolhi este livro porque…

Em primeiro lugar foi indicado por minha mana Vivi. E em segundo, por ter ido com a “cara” do livro, pura e simplesmente!

Divertida e prazerosa. Confesso que tempos atrás, já fui fã da literatura chamada “mulherzinha”, mas há muito não lia os livros por considerar as histórias sempre iguais.

Neste romance, em particular, a autora tempera a  história com tiradas engraçadas que dão um toque especial à trama.  Ela tem um bom tempo de humor e sabe utilizá-lo nos momentos certos. Obviamente, existe toda a dramaticidade presente em romances desse gênero. Mas, a história se desenrola e não é arrastada. Os personagens, apesar de caricatos, são sedutores. Temos a jovem inocente que desconhece os mistérios da arte do amor até encontrar em seu caminho o jovem e “bem dotado” príncipe de sua vida.

Como em todo romance, o casal de pombinhos  terá de enfrentar todos os obstáculos até se entregarem por definitivo um ao outro. Até o tão sonhado happy end irão se envolver em muitas aventuras.  Garantia de diversão despretensiosa com certeza.

Alguns trechos do livros  com as pérolas da personagem Sorcha e em seu momento de “descoberta”:

“ O seu…negócio é fora do comum de grande?”

“E gaita de fole me parece muito coloquial”

“Eu bem que gostaria de ver o elenco reunido”.

É isso aí, eis algumas tiradas da princesinha. Poderia soar brega, mas a forma como a história é contada, com muito humor, suaviza o apelo sexual contido nos diálogos. É obvio que existem os tais momentos “picantes”, mas eles ficam em segundo plano.

Eu diria que o destaque fica para os diálogos perspicazes e engraçados.

Com base em minhas impressões, a minha nota para o livro é 5/5

jan
24

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Tema: Romance/Livro de Banca

Mês: Janeiro/210

Neste mês eu li: Vida dura

Autora: Claudia Tajes

Editora: LP&M Pocket

Nº de páginas: 168

Sinopse: A vida de Leonel de Moura Brizola Coelho não é nada fácil. Além de suportar as brincadeiras por conta de seu nome, a ele faltam dinheiro, amor, conforto e trabalho. Não necessariamente nessa ordem. Pulando de biscate em biscate para sobreviver na periferia de Porto Alegre, ele tenta desesperadamente inventar novas formas de ganhar alguma grana. Até que ele se depara com uma reportagem de jornal que vai transformar a sua vida numa gozação só – e não no sentido figurado. Com o estilo irreverente que a consagrou como uma das mais interessantes vozes da novíssima ficção brasileira, Claudia Tajes tece essa bem-humorada e inusitada narrativa, que gira em torno de se ganhar dinheiro doando sêmen, concretizar as próprias fantasias, ser feliz e outras improbabilidades da vida.

O livro é sobre uma história nonsense. Inusitada mesmo. Não dá para contar os detalhes sob pena de cortar o barato da leitura. Portanto, sem ultrapassar as linhas gerais contidas na sinopse, seguem algumas observações nada ordenadas acerca do que li.

Metaforicamente falando, Vida dura, o título, refere-se ao endurecimento do órgão genital masculino. Isso mesmo que você leu, caro leitor. Estou falando do pênis. E no caso do livro em questão, a ferramenta de trabalho de Leonel, um obstinado doador de sêmen. Por força do ofício, sua ferramenta deve estar sempre alerta (positivo e operante!) sempre quando requeridos os seus préstimos. Como seria com qualquer doador de sêmen que leva tão ferreamente o seu ofício, circunstâncias inusitadas não se furtam a acontecer. Eis a síntese da  nada mole vida de Leonel Brizola.

Assim como Dominique Molise de Fante, Leonel Brizola, apesar da condição sui generis de seu sustento, é um sujeito comum desempenhando seu papel de inventor de utopias. Um perdido em sonhos de glórias! È de uma estranheza ver como realmente ele leva a sério a fantasia de uma prodigiosa carreira como doador de sêmen! Mas…para o bem ou para o mal, esse é o Leonel com todos os vícios e virtudes de sua fértil imaginação.

E  assim Claudia Tajes faz troça desse pobre sonhador! E ao explorar o tom jocoso, Claudia nos fornece um elo emocional que nos liga à visão de mundo de Leonel.

Abro um parêntesis para citar as palavras Dostoiévski escritas em “Escritos ocasionais”. De certo modo tais palavras alcançam correspondência com o  micro-mundo particular de Leonel:

dostoievski

Dostoievski

E vocês sabem o que é um sonhador, cavalheiros? É um pecado personificado, uma tragédia misteriosa, escura e selvagem, com todos os seus horrores frenéticos, catástrofes, devaneios e fins infelizes… um sonhador é sempre um tipo difícil de pessoa porque ele é enormemente imprevisível: umas vezes muito alegre, às vezes muito triste, às vezes rude, noutras muito compreensivo e enternecedor, num momento um egoísta e noutro capaz dos mais honoráveis sentimentos… não é uma vida assim uma tragédia? Não é isto um pecado, um horror? Não é uma caricatura? E não somos todos mais ou menos sonhadores?

 

Essa citação encaixou-se bem à imagem mental que fiz da trama como um todo. Leonel é deformação grotesca do sonhador que exagera no sonhar. Uma caricatura vivendo ao sabor do vento.

No final das contas, o que se lê é o humor combinado a uma boa dose melancolia. Um humor que não me fez rir de doer, é vero.  De fato os acontecimentos narrados suscitaram-me piedade.  Não que seja essa uma característica desabonadora da obra. Não é bem assim. O texto de Tajes é amigo da realidade sem peneiras, não há odes à nobreza e à pureza de atitudes. Alegríssimo off.  Ao invés da densidade dramática, a autora opta pela comicidade presente em uma vida “desinspirada” onde o risível é de um gênero triste. Esse contraste adequa-se a trama perfeitamente. Vale a pena ler.

Escolhi o livro porque tendo lido Dez quase amores e a Vida sexual da mulher feia, gostei do estilo da Claudia Tajes e quis conhecer mais de suas obras.

A leitura do livro foi perturbadora. De uma qualidade que nos faz pensar. Aliás, essa é uma característica forte na escrita de Tajes. Não deu outra: senti-me desconfortável em acompanhar o hedonismo solitário e utilitário de Leonel.  Foi meio claustrofóbico assisti-lo encerrado em seu quarto, na cabine de doação de sêmen masturbando-se, preso ao seu mundinho sem perspectiva, numa imersão tóxica de escapismo. Considero uma leitura enriquecedora por trazer à baila a questão do estigma que marca aqueles que vivem como podem.

Antes de dar minha nota, uma explicação: percebi que alguns participantes do desafio não estão se sentindo confortáveis em avaliar a obra lida com base em menções. Considero justíssimo. Aliás, uma fala em especial me fez repensar esse lance de notas. O objetivo nunca foi o de depreciar os autores e seus escritos. Como leitora consciente que sou, respeito o trabalho de nossos escritores e sei o quanto é árduo o trabalho de composição literária. E por isso esclareço: de minha parte, a avaliação serve como uma classificação pessoal e emocional sem maiores pretensões analíticas mesmo porque não tenho cacife para tanto. Portanto, sendo fiel a esse meu pensamento, aboli a categorização dos livros como sendo bons ou ruins. Em seu lugar, surge uma nova categorização de um jeitinho só meu, claro, e por isso, inteligível apenas para mim. Assim sinto-me confortável para acompanhar o percurso de minhas leituras da forma emocional, sensorial e a flor da pele como sempre fiz.

Nota ao meu gosto*:4/5

*De 1 a 5, com gradação crescente do que menos gostei para o que mais gostei. That’s all…

jan
08

picture2life_08191_originalTema: Romance/Livro de Banca

Mês: Janeiro/210

Neste mês eu li: 1933 foi um ano ruim

Autor: John Fante

Editora: LP&M Pocket

Nº de páginas: 144

Sinopse: Em 1933 Dominic Molise fez 17 anos. Seu pai, imigrante italiano, pedreiro, quer ensinar ao filho seu ofício. Só que o garoto, às vésperas de se formar no colegial, só pensa numa coisa: vencer no baisebol. Quer ser o maior lançador canhoto de todos os tempos. Em 1933 ele iria embora do Colorado, decolar para a fama. Mas 1933 foi um ano ruim…

O livro é sobre uma história que provavelmente você já leu em muitos outros livros. Só que  à maneira Fante é como se fosse contada pela primeira vez.

Dessa vez, não tem Arturo Bandini, alter-ego de Fante e estrela número um de seus romances, mas tem Dominique Molise. Um jovem de dezessete anos que sonha em ir para Califórnia onde pretende ser um grande jogador de Baseball. Filho de imigrantes italianos, não tem dinheiro. O único recurso valioso que possui é o Braço. Sim, assim mesmo em maiúscula: o Braço, seu trunfo. seu braço esquerdo que, numa sacada genial de Fante, não é somente um membro superior do corpo humano.  Com Jonh Fante nada se resume ao que temos por certo e é assim que, por obra de Fante, o  Braço adquire ares de um personagem com a sua própria motivação.  Divertidíssimos os diálogos que Dominique trava com seu braço esquerdo.

John fante

John Fante

Nem tudo é humor. Apesar da ironia acentuada presente em sua obras, Fante faz um mix certeiro de drama e zombaria.  1933 foi um ano ruim pode ser uma variação de um mesmo tema, ainda assim consegue soar leve, fresco e surpreendente ao explorar temáticas que não se esgotam: abismo entre pais e filhos, amores idealizados, a vida dos imigrantes italianos em solo americano, etc.

São esses os aspectos importantes que contextualizam a vida de Dominique. Ele, assim como muitos jovens saídos da infância, depara-se com a dura realidade das promessas frágeis; as mesmas que dizem haver um lugar social para cada um.  Será mesmo assim? Todo mundo tem o seu pote de ouro no  fim do arco-íris? Se assim for, há que  se desvencilhar da pressão sociais que exigem um acomodar-se ao que existe.  Há que se bancar cada um de seus sonhos ou, se não, continuar a viver como seus pais;   levando uma miserável vida  com um salário de pedreiro, ganhando alguns trocados aqui e ali em mesas de bilhar para amenizar a pobreza familiar.  Futuro pouco promissor, não? São essas algumas das muitas circunstâncias  que, no decorrer da trama, se interrelacionam até que saibamos se Dominique alcançará aquilo que deseja. Eu sei…o título dá pistas…mas, sabe como é, em se tratando de John Fante o esperável pode surpreender.

Eu escolhi esse livro porque desde que li Pergunte ao pó do mesmo autor fiquei encantada com seu estilo único de escrever. Ele me faz pensar que o ato de escrever é natural e fácil  apenas pela forma desprendida com que trama cada detalhe de sua narrativa. Ele me faz rir e chorar ao mesmo tempo. Soube que se trata de uma publicação póstuma e  esse foi outro dado que me motivou a ler o livro. Quanto às questões relativas ao tema do desafio, ler um romance de banca não seria desafiador para mim uma vez que já li tantos do gênero nessa vida. Portanto, como desafio não me bastariam e isso é tudo.

A leitura foi muito divertida. Li-o em um dia. O livro é curtíssimo e muito gostoso de ler. Fato que torna ainda mais visível a competência de Fante em fazer muito com tão pouco. Gostaria de recomendar Fante para todos os leitores, porém não posso fazê-lo sem alertas, porque talvez Fante não seja para todos. Explico: sua obra se enraiza no mundo cão. Fante não se  esquiva de desenhar imagens nada lisonjeiras. Seus heróis são imperfeitos. E porque humanos, cruzam limites éticos e morais.   O legal de ler Fante está em ter a verdade dolorosa dos personagens exposta sem disfarces mais simpáticos.

A nota que eu dou para o livro:  5/5

Curiosidades: A trama se passa em Boulder, uma cidade do Colorado onde John Fante cresceu.  Ah,  eu ainda não disse que 1933 foi um ano ruim é um romance autobiográfico? Então, está dito.

A Boulder  de hoje é uma cidade bonita e caótica ao mesmo tempo. E com muito encanto artístico.  Saca só:

boulder

Terminei Vida Dura da Cláudia Tajes. O meu livro reserva. Já-já tem mais resenha do desafio de janeiro.

Aproveite e leia as resenhas dos demais participantes do desafio literário. È só clicar aqui.

Fui!