Se você não nasceu ontem, certamente já sabe do burburinho que o filme Alice do Tim Burton tem causado. Desde que o filme foi anunciado, eu tenho esperado ansiosamente por sua estréia nas telonas tupiniquins. Por isso, o RG dedica um especial à Carroll e a seu mundo maravilhoso. Tome seu assento que a viagem começa agora!
Todo mundo conhece a história de Alice no país das Maravilhas nem que seja de só ouvir dizer. Que o livro é um clássico e um excelente formador cultural, todos sabem. Engraçado que não me lembro de tê-lo lido na infância. Em uma leitura para realizar um trabalho de faculdade, fui capturada pelo clima nonsense presente na narrativa.
Mas sabe o que é a graça do livro aos meus olhos? A imaginação pura e simples a passear em um mundo de pernas pro ar. Em mundo predominantemente cinza, vale a pena conhecer as maravilhas do mundo pelos olhos de Alice.
No início é apenas Alice em uma tarde preguiçosa a beira do rio, e num piscar de olhos, ela já segue um coelho e cai num buraco. E vai caindo, caindo, caindo, caindo até para num lugar estranho com muitas criaturas esquisitas. Há uma porta fechada por onde ela não consegue passar, em seguida ela muda de tamanho várias vezes, toma o chá mais louco da paróquia e joga críquete com a rainha, mas se Alice ganhar, que claro fique: “Cortem-lhe a cabeça!” A pergunta que fica é ” e aí? Alice volta ou não volta ao mundo real”?
Tsc, tsc…nossa eterna mania pelo fim. Aqui o que importa é o interlúdio. O lapso de tempo em que Alice vive a sua aventura. Já se imaginou em estado de movimento constante onde é possível adentrar dimensões sem medidas e conhecer lugares sempre novos? Assumir corporeidades várias num só dia? Ufa! “Ter muitos tamanhos no mesmo dia é muito confuso!”
Hehehe…os diálogos que Alice tem com seus próprios pensamentos são um show a parte. Eu fico fascinada com a forma como Carroll trata as palavras de modo que se tornam visuais por si mesmas. Ele usa e abusa de metáforas inusitadas com tanta maestria que há os que pensam com seus botões “esse cara se drogava ou algo assim”?
Não. Apenas uma imaginação linda demais para se encaixar no universo de controle em que vivemos. E o livro trata justamente de um manifesto contra o controle e o condicionamento a que nos impomos. Se precisamos de regras para viver, porque não pensamos o porquê delas existirem? Porque é certo o que se diz ser o certo?
Porque não questionar o pronto?
O livro fala de crescimento também. Em busca da sua identidade, Alice está simplesmente sendo. Sem supostos e pressupostos, encanta-se com que vê. Não é lindo viver curiosando?
O livro tem muitas fendas e portas fechadas sendo preciso abri-las com a chave da imaginação. Eu pergunto: Você está disposto a tentar abri-las? Entre na toca do coelho e vá para muito além da imaginação de Alice…
Para fazer esse especial reli Alice no país das maravilhas. Só que dessa vez me apropriei da edição ultra-especial de colecionador da Cosac Naify em que a caixa simula um baralho. A biografia do autor e a filmografia de Alicecompletam a edição.


A Alice desceu a toca do coelho e veio parar 146 anos depois aqui no RG. Quer saber mais? Siga a trilha da Alice porque esse mês todos os caminhos levam ao país do Romance Gracinha.
Olá , eu sou Marineide
Tema: Contos de Fadas revisitado














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