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mar
08

alice_especial_gSe você não nasceu ontem, certamente já sabe do burburinho que o filme Alice do Tim Burton tem causado. Desde que o filme foi anunciado, eu tenho esperado ansiosamente por sua estréia nas telonas tupiniquins. Por isso, o RG dedica um especial à Carroll e  a seu mundo maravilhoso. Tome seu assento que a viagem começa agora!

Todo mundo conhece a história de Alice no país das Maravilhas nem que seja de só ouvir dizer. Que o livro é um clássico e um excelente formador cultural, todos sabem.  Engraçado que não me lembro de tê-lo lido na infância. Em uma leitura para realizar um trabalho de faculdade, fui capturada pelo clima nonsense presente na narrativa.

Mas sabe o que é a graça do livro aos meus olhos? A imaginação  pura e simples a passear em um mundo de pernas pro ar. Em mundo predominantemente cinza, vale a pena conhecer as maravilhas do mundo pelos olhos de Alice.

No início é apenas Alice em uma tarde preguiçosa a beira do rio, e num piscar de olhos, ela já segue um coelho e cai num buraco. E vai caindo, caindo, caindo, caindo até para num lugar estranho com muitas criaturas esquisitas. Há uma porta fechada por onde ela não consegue passar, em seguida ela muda de tamanho várias vezes, toma o chá mais louco da paróquia e joga críquete com a rainha, mas se Alice  ganhar, que claro fique:  “Cortem-lhe a cabeça!” A pergunta que fica é ” e aí? Alice volta ou não volta ao mundo real”?

Tsc, tsc…nossa eterna mania pelo fim. Aqui o que importa é o interlúdio. O lapso de tempo em que Alice vive a sua aventura. Já se imaginou em estado de movimento constante onde é possível adentrar dimensões sem medidas e conhecer lugares sempre novos? Assumir corporeidades várias num só dia?   Ufa! “Ter muitos tamanhos no mesmo dia é muito confuso!”

Hehehe…os diálogos que Alice tem com seus próprios pensamentos são um show a parte. Eu fico fascinada com a forma como Carroll trata as palavras de modo que se tornam visuais por si mesmas. Ele usa e abusa de metáforas inusitadas com tanta maestria que há os que pensam com seus botões “esse cara se drogava ou algo assim”?

Não. Apenas uma imaginação linda demais para se encaixar no universo de controle em que vivemos. E o livro trata justamente de um manifesto contra o controle e o condicionamento  a que nos impomos. Se precisamos de regras para viver, porque não pensamos o porquê delas existirem? Porque é certo o que se diz ser o certo?

Porque não questionar o pronto?

O livro fala de crescimento também. Em busca da sua identidade, Alice está simplesmente sendo. Sem supostos e pressupostos, encanta-se com que vê. Não é lindo viver curiosando?

O livro tem muitas fendas e portas fechadas sendo preciso abri-las com a chave da imaginação. Eu pergunto: Você está disposto a tentar abri-las? Entre na toca do coelho e vá para muito além da imaginação de Alice…

Para fazer esse especial reli Alice no país das maravilhas. Só que dessa vez me apropriei da edição ultra-especial de colecionador da Cosac Naify em que a caixa simula um baralho.  A biografia do autor  e a  filmografia de Alicecompletam a edição.

 

Button3

mar
05

Button2A Alice desceu a toca do coelho e veio parar 146 anos depois aqui no RG. Quer saber mais? Siga a trilha da Alice porque esse mês todos os caminhos levam ao país do Romance Gracinha.

mar
05

marineidelivroOlá , eu sou Marineide

Meu Blog/Site: http://marciagrega.blogspot.com/

O meu Romance Gracinha é Madame Bovary de Gustave Flaubert – Ediouro

È um Romance Gracinha Pela meticulosidade com que o autor descreve os personagens e pelo estilo único de Flaubert que procurava ajustar uma palavra que fosse realmente adequada ao texto, sem fazer uso de sinônimos. Ele dizia que sempre só existe uma palavras justa e única para descrever determinada cena.

O Romance é sobre os anseios de uma jovem que, para fugir da vida monótona da fazenda, casa-se com um médico. Sua vida de casada também não agrada, pois, seu marido é pacato e metódico, e ela passa a gostar de outros homens.

O ápice é quando a personagem principal toma veneno acreditando que terá uma morte tranquila…

Tem trilha sonora? Que eu saiba não, mas posso me informar e depois acrescentar. Tem filme.

Classificação: 4/5

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E o Romance Gracinha procura Cassandra Camila. Cassandra, se você estiver lendo esse post, por favor, entre em contato comigo! Ass: Vivi

fev
28

picture2life_00000_originalTema: Contos de Fadas revisitado

Mês: fevereiro/210

Título: Lanark: Uma vida em quatro livros

Autor do livro: Alasdair Gray

Editora: Record

Nº de páginas: 655

Quando seu romance estréia, ‘Lanark’, foi lançado, Alasdair Gray ganhou a fama de melhor escritor escocês desde Walter Scott e o livro se tornou a mais influente obra escocesa da segunda metade do século XX. Um trabalho de intensa imaginação e largo alcance, cujas técnicas de narrativa semeiam uma mensagem profunda, tanto no campo pessoal quanto no político. Esta obra trata da incapacidade humana de amar e a compulsão de tentar encontrar o amor verdadeiro. É um épico moderno, apocalíptico e experimental, realista e fantástico, repleto de narrativas lúdicas. Publicado originalmente em 1981, o livro é uma mistura de diversos gêneros, aparentemente díspares – do conto até a novela, passando por fantasia, ficção científica, autobiografia, crítica literária e realismo.

O livro é sobre a história da vida de Lanark. No primeiro capítulo Lanark, sem passado e sem nome, chega numa cidade estranha onde não há luz do dia e as pessoas são dominadas por um poder invisível a determinar seu modo vida.  Nesse lugar, as pessoas são acometidas de doenças estranhas. No caso de Lanark, por exemplo, seu braço é coberto de escamas de dragão e no lugar da mão, o que se vê é uma pesada garra do mesmo animal.  De forma simbólica, a doença  em Lanark representa sua alma e espírito revestidos de uma couraça em que nada ou ninguém o possa atingir.  Obviamente, a evolução da doença em Lanark significa a perda de sua essência, de sua identidade, de sua humanidade. Paira a pergunta: Lanark será curado?  Antes de sabê-lo, o leitor deverá acompanhar a história de sua vida do início ao fim.  De forma instigante e original, o autor nos leva a percorrer com Lanark a via difícil, sofrida e inglória de quem resiste a ser coisificado. Seja por convicção, coragem moral ou espiritual, a esperança continua sendo a melhor opção.

Eu escolhi este livro porque…

Sua boa fama o precede. Isso foi o  que instigou a minha curiosidade.  Além disso, a leitura calhou com a ocasião do desafio literário de fevereiro uma vez que a narrativa acontece em um universo maravilhoso e fantasioso.

A leitura foi uma experiência fantástica. O livro está além de qualquer definição. A começar por sua estrutura não-linear onde a história começa pelo livro 3 (E com o prólogo no meio!). Esse aspecto inusitado soou como novidade para mim. O livro é complexo, sem sincronia, porém não menos divertido. Acima de tudo nos inspira por tratar de temas que nos são caros. Fala do amor, dos sonhos e da liberdade ofuscados pela circulo vicioso de uma cultura castradora do indivíduo.  Com certeza é  um livro que exige várias releituras para melhor compreendê-lo.

È  5/5!

fev
18

Estrela_pier

Lucia tem uma vida monótona e previsível até vencer o concurso mais cobiçado do momento.
Não apenas ganha uma viagem para Londres, como também um jantar com o ator inglês Richard Clevehouse.

O que era sorte, entretanto, muda de cor. Richard, o belo ator de olhar sombrio, guarda um segredo: a vida de Lucia corre perigo. E ele fará de tudo para protegê-la, mesmo que, em troca, tenha de sofrer muito mais do que espera.

Das certezas, apenas uma:
Não há para onde fugir!

Autor: Kamila Denlescki
Editora: Novo Século
Ano de Lançamento: 2009
Número de Páginas: 232

Uhú! Òtimáximo! Adorei Estrela Píer.

O livro é do tipo que se lê em uma sentada. Não porque seja pouco extenso, (realmente a história é curtinha com direito a gostinho de quero mais). Mas não é isso. É muito mais porque a trama introduz-se mansamente a ponto de ensurdecer nossos sentidos para o tique-taque do relógio e outros estímulos estressantes. Sim, meu caro Proust, concordo contigo, “a leitura é a mais nobre das distrações”*. De um jeito gostoso, a trama se encarrega de nos puxar pela mão preparando-nos para os arroubos súbitos de “Ih! E agora? O que virá?”.  Enquanto a leitura transcorria no melhor estilo “What have happen to Lucy Píer?”, imergi-me no universo glamoroso que Kamila Denlescki pintou tão habilmente. A história é muito charmosa.

A narrativa é bem estruturada com um pezinho lá nos contos de fadas e nos contos maravilhosos em que a proposta é apresentar um desígnio a ser cumprido pelo protagonista da história, nesse caso, Lúcia Píer. Para cumprir seu destino (que você só saberá lendo), Lúcia precisa sair do seu casulinho e partir em uma viagem inusitada em busca de si mesma, do desconhecido (se o desconhecido tiver um corpão e for sexy, melhor ainda). Quem sabe no ponto de chegada não esteja a tão sonhada felicidade? Antes disso, claro, múltiplos obstáculos marcam presença. Essa estrutura narrativa, ao longo da história da literatura, tem se demonstrado certeira. Não é toa que gêneros do tipo agregam fãs ardorosos em torno de si. Eu sou um deles!

A Kamila tem um raciocínio sofisticado e irônico que marcadamente influencia a sua escrita. O que poderia resvalar em uma arrogância intelectual é competentemente transformado na pedra de toque do livro de onde se origina os diálogos inteligentes e de um humor sutil. Adoro!

Para os melindrosos, o componente glamoroso de que falo não tem nadinha de pomposo. O glamour fica por conta da viagem no tempo rumo à inesquecível Hollywood dos anos 40 e 50. O impressionante é que se trata de história contemporânea, mas o look retrô está o tempo todo ali servindo de pano de fundo para que os nossos James Dean e Rita Hayworth modernos e repaginados na pele de Lucia e Richard nos fascinem com seus desempenhos memoráveis. Um luxo!

Para quem enjoou das mocinhas que choram pelos cantos, Lúcia Pier é digna de palmas. Poderia ser o clichê da nerd recalcada e com baixa auto-estima, mas dribla facilmente esses limites que acabariam por anular as várias possibilidades de Lúcias que tem dentro de si. E no melhor estilo butterfly, a transformação de Lúcia Pier é muito interessante de se ver. Além da mente sarada, temos aí uma mocinha de fibra que não espera que o mocinho a salve dos vilões. A menininha, ela mesma, sem bancar a feminista e sempre feminíssima, bota pra quebrar.

E Richard? Nasceu para ser o anti-herói. Um mau-mau apaixonante e apaixonado. Apesar da fama de vilão, não é um bruto que ama. È um verdadeiro gentleman, mas sem a tal da empáfia estudada. Talvez seja esse um papel mais bem desempenhado por Kim, a outra ponta do triângulo amoroso. Voltando ao Richard, é esse belo espécime de imperfeição heróica que vai até as últimas conseqüências para conquistar o amor de Lucy. Um amor que não estava no script literalmente. Kimdjuvantes de plantão, abram o olho!

A pergunta que não quer calar: os vilões estão com tudo ou mau mocismo cai como luva em nossos heróis?

Aprendi no blog da Steffens que estamos diante de um Mistery Lit. Então, não vou ser a estraga-prazeres por quebrar o pacto. Em se tratando de mistério narrativo, a cada leitor compete desvendá-lo no silêncio de seu santuário de leitura. Além do que não é de bom tom futricar os acontecimentos da trama com quem ainda não a leu. Que fiquem, então, registrados apenas os meus sentimentos sobre a coisa toda.

Recado para a editora Novo Século: Demonstrem cuidado para com seus autores, leitores e livros. Nós agradecemos.

Vou botar Queen no CD Player e ouvir Don’t stop me now nas alturas.

Fui!

*Marcel Proust