Tema: Clássicos da Literatura Universal
Mês: Março/210
Título: Ana Karênina
Autor do livro: Tolstói
Editora: Nova Cultural
Nº de páginas: 654
Uma das melhores obras de Tolstói, o romance Ana Karênina narra a história do amor difícil e controvertido vivido pela protagonista Ana na Rússia czarista. Ela é uma mulher casada que vai atrás de seu amante Vronski mas, arrebatada por uma paixão proibida, resvala cada vez mais para um abismo de mentiras e destruição. Tolstói questiona o significado da vida e da justiça social tendo como pano de fundo as crises familiares. É o maior romance do adultério na literatura universal.
O livro, como comumente é conhecido, nos fala sobre uma história de adultério. No entanto, percebi que a trama aborda outros temas complexos. À primeira vista, a graça da narrativa é a de não se restringir a uma trama só. Engenhosamente vemos descortinar três histórias com visões concorrentes sobre o amor e o casamento. Para quem assim como eu pensou que o cerne do romance é a Ana Karênina, o livro de fato se revela uma surpresa. Outros personagens têm igual ou mais destaque do que ela. Mas vamos ao que interessa: a três histórias que mencionei acima. A primeira delas retrata a vida de casados de Stiva e Dolly Oblonsky. Um casamento de conveniência, sem amor e sete filhos. Por mais terrível que possa parecer, esse casal é o refresco do livro uma vez que a tentativa de ambos em manter o casamento de pé tem o seu quê cômico. Ah, Kostantin e Kitty Levin! Esse casal me encantou com aquele começo de namoro(?) muiiiiito estranho e doce ao mesmo tempo. A passagem em que os dois fazem uma declaração de amor mútuo é uma das passagens mais fascinantes que já li. A minha admiração por ambos os personagens é também devida à capacidade que possuem de transcender os papéis sociais de gênero em uma sociedade eminentemente patriarcal. Por fim, temos a relação babado forte dos Karenins. Casada com um marido presencial e emocionalmente distante, Anna vive uma vida resignada até conhecer Vronski por quem se apaixona. Assumidamente adúltera, Ana paga dura e sofridamente por não negar sua paixão. E nisso se revela o padrão duplo com que as ações femininas e masculinas são julgadas. À Ana resta-lhe amargar uma reputação denegrida enquanto Vronski continua bem aceito nos mesmos círculos sociais. Para além disso, o sentido da história é bem profundo tornando-se apaixonante acompanhar a trajetória dos personagens em busca da felicidade e do sentido da vida.
Eu escolhi este livro porque…
Amo a literatura russa. Pronto, falei.
A leitura foi maravilhosa. Esse livro nos abstrai da realidade sendo impossível sair incólume de sua leitura. Certamente uma obra inesquecível. Como me esquecerei de Levin? Um dos personagens mais nobres e dignos que já conheci? Da obra em si, só vejo ganhos em lê-la. E essa é a parte em que ressalto que gostei do livro não porque seja um clássico. Gostei porque gostei. Gosto de livros que me comunicam de alguma forma independente de sua classificação, seja clássico ou contemporâneo. E nesse caso, Tolstói me conquistou ao tratar de assuntos tão profundos utilizando-se de uma linguagem tão gostosa e fácil de modo que não senti o tempo passar. Mas é preciso ter em mente que para além do entretenimento o livro aborda ricas temáticas de cunho social. A implicação disso se traduz naquelas partes em que os discursos são longos, descritivos e filósoficos. Para quem gosta, a leitura é um prato cheio e saboroso. Ao fim do livro, uma inquietação permanece acerca do amor romântico, o amor inventado. Como adoramos um amor inventado, exagerado, cheio de drama e paixão, não é? Assim cantava Cazuza. Mas Tolstói cutuca: Pode-se tudo por amor? E o amor, o que é? Turbulência ou calmaria? Diga aí, meu irmão!
È 5/5!
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março 31st, 2010 at 5:47
Gente do céu! Você derruba qualquer um com as suas resenhas. Eu fico até com vergonha das minhas. Vivi, você é o que todo blogueiro deveria ser quando crescer, sem falsa babação de ovo, que você sabe que eu não sou disso.
MATOU A PAU!
Deu até vontade de dar uma olhada, depois dessa. Mas me diz, você leu aquela versão completona, de 3 volumes? (Agora me falou a memória, se são 2 ou 3 volumes.)
Beijos, querida.
março 31st, 2010 at 15:18
Vivi, que resenha maravilhosa! Esse livro está na minha lista desde a época da faculdade, e ainda vai esperar um pouco mais. Mas não tenho dúvidas de que seja sensacional…
Bjs!
março 31st, 2010 at 16:50
Excelente resenha. Me deu vontade de correr na livraria agora e comprar esse romance. Sempre tive vontade de ler esse clássico, mas tive medo de o achar enfadonho! Mas vou voltar aos planos seguindo sua resenha.
março 31st, 2010 at 18:30
Nuss… falou tão bem!!!
E eu tenho séeerias restrições à literatura russa…. acho que preciso rever meus conceitos!!!
Beijos, parabens pela resenha!
março 31st, 2010 at 23:08
Oi Vivi,
amei sua resenha e adorei a dica.
bjs
Driza
abril 1st, 2010 at 5:07
a resenha ta um “brinco” (giria da minha mãe)
Ja tinha ouvido falar, mas sem me chamar muito a atenção
mas agora vai pra listinha!!
abril 1st, 2010 at 5:08
Uau!
Como disse a Lilian, matou a pau! Adorei sua resenha, está nota dez, e me deu vontade de ler o livro agorinha mesmo. Uma excelente análise, e com bastante opinião. Ainda vou escrever assim…
Grande beijo!
abril 2nd, 2010 at 1:12
Ótima resenha! Fiquei com vontade de ler o livro, faz tempo que quero conhecer melhor a literatura russa…
Beijos
abril 3rd, 2010 at 1:59
Mana,
Concordo com tudo o que foi dito aqui. Parabéns pela resenha e pela dica de leitura.
Bjs..
abril 3rd, 2010 at 19:32
Ahhh Konstantin Lievin…eu queria casar com esse homem quando o conheci rsrs.
Eu cheguei a ler essa versão da nova cultural, mas descobri, depois que li a da cosac naif, que ela é uma versão =(.
Na da cosac as notas nos deixam mais surpresas, o pedido de casamento entre kitty e lievin, que você mesmo mencionou acima, foi baseada no pedido que o Tolstoi fez a sua esposa….eles escreveram em uma mesa com giz suas declarações e a proposta de casamento. Fiquei pasma quando li essa notinha do tradutor, amei.
O livro é fantastico, nao conseguia parar de ler quando o fiz das duas vezes, da segunda mais ainda. Continuo querendo achar alguem como o Lievin para casar, pq homem com aqueles pensamentos e um amor desses é perfeito. rs
abril 5th, 2010 at 4:08
Luciana, faço minha as suas palavras. Lievin foi talhado para mim….hehehe
Lilian e Luciana, não sabia desse detalhe da versão completa. Agora eu quero!!!!
Nara, Laura, Dani, Driza, Kézia, Cristine, Marília e Rê, eu super recomendo a leitura desse livro. È pegar para não largar!
Beijocas
abril 29th, 2010 at 23:20
Nossa que resenha VIVI, assim minha lista de livros a ler só aumenta, sempre quis ler esse autor, vc hj me convenceu que esse sim é um livro que merece ser lido…parabéns pela resenha….beijokas elis!!!!!