Uma leitura puxa a outra…
fevereiro 11th, 2009 | Vivi | Nenhum Comentário#comments">No Comments Yet

Não existem receitas para amar. Porém, uma coisa é fato: quem aposta (mesmo!) numa relação, entra com a disposição de construir uma convivência sólida e feliz. E sabe que tem de tomar decisões de amor todos os dias, sem se omitir. Pois a intenção é de engajamento de ambas as partes. No entanto, o negócio pega quando os pesadelos de imagens falsas sobre o que é o amor entram em cena querendo roubar a glória dos próximos atos e conturbar o cenário lindo do que já se construiu. Acho engraçado quando alguém diz que tem medo de amar por causa da rejeição. Sabe por quê? No fundo, no fundo, esse alguém já sabe o que não é pra dar certo, e arrisca viver a mentira consciente de que não tem nada de bom a dar no momento. Para quê o engodo? Pois então, que se assuma o risco já sabendo que “o fim está contido no princípio”. Se no início de um relacionamento são depositadas as culpas, os traumas, os apegos, os medos e etc, qual o fim que se pode esperar?

E depois do fim constatado, indaga-se, porque não acordei antes? Não é preciso ter medo do amor pela única razão de ser rejeitado, porque a pessoa que está ao nosso lado não é responsável pela nossa felicidade. Como se pode jurar fazer alguém feliz? Eu me pergunto. È muito expectativa de “felizes para sempre” alimentada ao longo de toda vida pra uma pessoa sozinha cumprir enquanto, da outra ponta, a cinderela aguarda ansiosa o happy end eterno ostentando seus sapatinhos de cristal.

Ora, vamos cair na real. Amor é coisa séria, não é confeito de bolo, não. Ou seja, ame-se a si mesmo primeiramente. Essa é a energial vital para o incremento da vida a dois.

Na maioria dos romances ficcionais, tudo é arranjadinho para arrematar um happy end eterno. Na ficção, soa lindo e bonito de se ver. Mas, na real, o amor não é de fantasia. O amor lida com que é, com que aí está mesmo que seja algo ultra-mega-nebuloso. Tem romance? Tem, lógico. Mas acima de tudo, tem a verdade nua e crua e doa a quem doer. E o Happy end? Ah, esse ocorre no durante, na sabedoria de retirar de cada dia a sua porção de felicidade, de despertar para, finalmente, enxergar o outro que está dormindo ao seu lado há um bom tempo.

Na real, o amor pode mudar com tempo. E muda, disso o amor já sabe. O que o amor não sabe é desamar.

Divaguei demais. Como sempre. Mas, antes de evadir-me do pedaço, quero recomendar, principalmente aos casais agarradinhos em dias de chuva, o filme Banquete de amor. È bem a la Simplesmente Amor, para quem gosta do gênero. O filme tem uma mensagem muito bonita e singela do amor ainda que não se atenha a conceitos enraizados e fábulas otimistas sobre o tema. Vale a pena também pelos diálogos:

Como posso mudar? Não posso passar por isso outra vez. Harry, juro por Deus, perderei a cabeça.

– Merda. Bradley, ouça. Você deve ficar alerta, atento.

– O que quer dizer?

– Bem, tudo o que devemos saber está sempre diante dos nossos olhos. Sim, nós temos ilusões, esperanças e as pessoas podem nos cegar. Mas o fim já está desde sempre no princípio.

– Kathryn disse que eu nunca a vi. Talvez nunca tenha visto a Diana, também. Eu só estou à procura de um pedaço de felicidade, então fecho os olhos e pulo.

– OK, então da próxima vez…

– Não pulo?

– Não, não. Pule! Pule, mas de olhos abertos.

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Category : Cine Gracinha

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