E depois do fim constatado, indaga-se, porque não acordei antes? Não é preciso ter medo do amor pela única razão de ser rejeitado, porque a pessoa que está ao nosso lado não é responsável pela nossa felicidade. Como se pode jurar fazer alguém feliz? Eu me pergunto. È muito expectativa de “felizes para sempre” alimentada ao longo de toda vida pra uma pessoa sozinha cumprir enquanto, da outra ponta, a cinderela aguarda ansiosa o happy end eterno ostentando seus sapatinhos de cristal.
Ora, vamos cair na real. Amor é coisa séria, não é confeito de bolo, não. Ou seja, ame-se a si mesmo primeiramente. Essa é a energial vital para o incremento da vida a dois.
Na maioria dos romances ficcionais, tudo é arranjadinho para arrematar um happy end eterno. Na ficção, soa lindo e bonito de se ver. Mas, na real, o amor não é de fantasia. O amor lida com que é, com que aí está mesmo que seja algo ultra-mega-nebuloso. Tem romance? Tem, lógico. Mas acima de tudo, tem a verdade nua e crua e doa a quem doer. E o Happy end? Ah, esse ocorre no durante, na sabedoria de retirar de cada dia a sua porção de felicidade, de despertar para, finalmente, enxergar o outro que está dormindo ao seu lado há um bom tempo.
Na real, o amor pode mudar com tempo. E muda, disso o amor já sabe. O que o amor não sabe é desamar.
Divaguei demais. Como sempre. Mas, antes de evadir-me do pedaço, quero recomendar, principalmente aos casais agarradinhos em dias de chuva, o filme Banquete de amor. È bem a la Simplesmente Amor, para quem gosta do gênero. O filme tem uma mensagem muito bonita e singela do amor ainda que não se atenha a conceitos enraizados e fábulas otimistas sobre o tema. Vale a pena também pelos diálogos:
Como posso mudar? Não posso passar por isso outra vez. Harry, juro por Deus, perderei a cabeça.– Merda. Bradley, ouça. Você deve ficar alerta, atento.
– O que quer dizer?
– Bem, tudo o que devemos saber está sempre diante dos nossos olhos. Sim, nós temos ilusões, esperanças e as pessoas podem nos cegar. Mas o fim já está desde sempre no princípio.
– Kathryn disse que eu nunca a vi. Talvez nunca tenha visto a Diana, também. Eu só estou à procura de um pedaço de felicidade, então fecho os olhos e pulo.
– OK, então da próxima vez…– Não pulo?
– Não, não. Pule! Pule, mas de olhos abertos.
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