Um aviso de antemão: essa postagem será longa. Portanto, se o tempo é parco e os afazeres são muitos, sugiro que volte em hora amena.
O primeiro livro da Série Outlander nos apresenta Claire Randall às voltas com um casamento sem quaisquer resquícios do viço do amor. Situação essa atribuída à deflagração da Segunda Guerra Mundial que obrigou a ela e seu marido, Frank Randall, a viverem separados um do outro. Frank seguiu para o Treinamento de Oficiais na Unidade de Inteligência e Claire foi encaminhada para o treinamento de enfermeiras. Com o fim da guerra, ambos se reúnem novamente e partem para uma segunda lua-de-mel em Inverness (Escócia) para recuperarem a intimidade perdida em virtude dos anos de afastamento. Nos dias que se seguem, a lua-de-mel não se parece em nada com um idílio amoroso. O período de adaptação dos cônjuges está mais propenso para uma atualização acadêmica de Frank do que para o prazer recíproco. No entanto, a tônica do “não custa nada tentar” parece reger a união de Claire e Frank.
Atentos às festividades sagradas do advento de Beltane, o festival da primavera, os mistérios pairam no ar evocando lendas que se manifestam em fenômenos inimagináveis.
Tais fenômenos sinalizam que os problemas do casamento são disparadamente pequenos se comparados à situação inusitada e mística com que Claire se depara quando adentra o domínio do centro mágico de um círculo de pedras conhecido como Craigh Na Dun ou colina das fadas. Mediante um acontecimento extraordinário e inexplicável, Claire atravessa as pedras transportando-se para o ano de 1743 onde se acha no meio de uma escaramuça violenta da época. E é aí que a história conquista o leitor de vez tornando a tentativa de desprender-se das 732 páginas do livro um evento tardio e vão.
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Porque Claire viajou no tempo? Como ela é afetada por tal evento? Só ela pode atravessar as pedras? Tais perguntas, com exceção da terceira, não são respondidas no primeiro livro. Eu, particularmente, não acho que a grande questão do livro esteja centrada no propósito da colina das pedras visto como um canal de passagem. Acho que a viagem no tempo implica, sobretudo, na indagação acerca da possibilidade de Claire alterar o curso da história. Questionamentos que ela própria se fará não sem travar um embate interno bastante conflituoso.
Mas, antes disso acontecer, ela passa por muitas circunstâncias acidentais. Sem perceber, ela se adapta aos costumes da época e tem oportunidade de conviver com Jamie Fraser no Castelo de Leoch onde é constantemente vigiada, a mando de Collum Mackenzie (tio de Jamie) sob suspeita de ser uma espiã inglesa. O problema, é que, aos olhos dos ingleses, ela também é suspeitíssima. Então, para salvar-se de ser torturada pelos ingleses, casa-se com Jamie. E assim, se instala o conflito da protagonista: voltar para o seu mundo de origem ou permanecer ao lado de um homem que se torna a cada dia mais apaixonante?
Sua vida de casada com Jamie é repleta de aventura, medos, embates bem como de um amor mais forte e incontrolável que o tempo (afinal o Jamie em si é um acontecimento, né). Diga-se de passagem, uma vida bem diversa da que tinha ao lado de Frank.
Aventura x Monotonia… Banhos gelados x Banhos quentinhos…ou seja, uma vida D.C (Depois de Jamie). Qual a sua escolha? Unidunitê, salamêminguê….rs
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E temos, é claro, um dos vilões mais odiosos de todos os tempos que rivaliza com a mocinha pelo amor do mocinho. O cara é obcecado por Jamie de uma maneira desvirtuada e sádica. Black Jack Randall. Um ancestral de Frank Randall. (Mais essa para o infortúnio da sorte de Frank, coitado). A afinidade é apenas consangüínea pois, em matéria de caráter, digamos que Frank: 10, Black Jack: 0.
Aliás, uma das passagens mais difíceis da trama ocorre por força da obsessão de Black Jack por Jamie. È de sangrar o coração!
Falando em personagens, impossível não perceber os contornos multidimensionais com que Gabaldon os pinta. Eles são cheios de camadas multicromáticas. Nunca maniqueístas. O que nos poupa dos temíveis clichês. Jamie e Claire estão sempre a nos surpreender.
Jamie, um sujeito grandalhão cujo tamanho e intensidade do coração suplanta sua estatura. Meigo, muito meigo. Capaz de soltar, sem artificialismo, frases que beiram a ingenuidade. A verdade é que Jamie nasceu livre. Talvez, seja por isso que o Black Jack lhe dedica essa compulsão desarrazoada pois nunca poderá escravizar a alma de Jamie. Quase conseguiu. Mas, havia uma Claire no meio do caminho…Voltando ao Jamie, bem, ele parece sempre englobar, em qualquer ação ( seja no seu amor por Claire e por sua família, seja em suas responsabilidades como chefe dos Fraser) uma oferta de amor e sacrifício. Em outras palavras, como o cara é passional! Em cada um de seus atos temerários me vejo gritando exclamações, murmurando dúvidas, assinalando minhas reticências mas, sempre, temendo um possível ponto final porque Jamie dá um trabalhão.
Claire é a personificação da natureza pragmática até nos cabelos. (Imagina se ela vivesse nos ditames da escova progressiva!!!) Ela é também matriarcal sem deter título algum que lhe confira o domínio de um clã. Sua fibra e força são notáveis, principalmente, quando pesamos o fato de que suas habilidades curandeiras eram tidas, na época, como uma espécie de cancro para sociedade. A despeito disso, ela não se esconde, exerce suas competências medicinais como se dispusesse de todo arsenais modernos de sua época. Sempre achei o Jamie mais passional que a Claire. Talvez seja unicamente impressão. Afinal, o que ela faz para resgatar o Jamie da morte é uma declaração de amor total ainda que notemos vestígios do fator racional de seu ser, pois tudo o que ela faz é quase sempre sob o ponto de vista prático. Enfim, uma mulher admirável que não consegue mentir nem para si mesma. E o que é melhor: não padece daquelas bobajadas aguadas de “será que ele me ama?”…
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Ao término do livro algumas questões persistem e nos instigam a procurar informações nos demais livros da série. Eles também são extensos mas, suas páginas voam a toque de caixa. Créditos merecidamente concedidos a Diana Gabaldon, nossa exímia contadora de histórias.
Série Oulander
A viajante do Tempo
A libélula no âmbar
O resgate no mar (parte 1 e parte 2)
Os tambores de outono (parte 1 e 2)
The fiery cross
A breath of snow and ashes
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novembro 6th, 2008 at 3:18
Vivi,
Tava devendo um comentário…
Nem preciso falar o quanto vc é maravilhosa com as palavras e traduz tao fielmente todos os nossos sentimentos..
Mas dessa vez vc conseguiu se superar…
Amei…
Que venha os outros livros, o filme, o seriado… E que vc possa nos presentear com seus comentários cada vez melhores….
Bjos
novembro 6th, 2008 at 19:45
Jê, querida
Adorei sua visita.
Você não me deve nada. Seu saldo comigo é sempre positivo e ilimitado…rs
Beijocas
maio 5th, 2009 at 14:32
Hei! Nossa, adorei sua ‘resenha’ quanto a série. E eu me vi completamente como você, envolvida “sem querer” pela trama do livro. Ainda não terminei sequer o primeiro, e estou totalmente desesperada – puxando os cabelos, roendo unhas – porque simplesmente tenho provas e mais provas, trabalho e não posso me dar ao luxo de terminar o livro. É uma aflição. rs. Ainda to na p 200 e a coisa ainda nem “pegou fogo” direito. Mas já sinto dó de largar o livro.
julho 4th, 2009 at 21:53
Nossa,eu adorei a sua resenha sobre A VIAJANTE DO TEMPO. Você, pelo visto, escreve tão bem quanto a própria Diana Gabaldon. Meus parabéns mesmo! Se escrever outras sobre os demais livros da serie eu adoraria le-las. Um abraço – Rafael
julho 5th, 2009 at 5:19
Yasmin e Rafael esse livro repercute de forma intensa em mim. E torna-se verdadeiramente fácil comentá-lo uma vez que as palavras parecem sair do coração.
Rafael, sinto-me afagada por suas palavras. Quem me dera ter 1/3 da habilidade escrita e criativa da Gabaldon. Pode deixar…irei avisá-lo quando fizer resenhas dos outros livros da série outlander.
Beijos e obrigada pela visita!
setembro 3rd, 2010 at 16:48
Incrível a envolvente história da Gabaldon. Li – ou melhor, mergulhei- num espaço paralelo junto com Claire, tão real que me pego sentindo uma saudade mesmo física dos personagens, identificando fatos cotidianos deles nos meus próprios.
Ontem acabei as últimas paginas da Cruz de Fogo e já me sinto um pouco órfã, lamentando a demora da publicação das próximas aventuras. Muitas vezes enrolei para terminar de ler por pura dó de saber que a leitura iria acabar… arrebatador.
setembro 5th, 2010 at 6:44
@Niele: Nossa, Niele. Descreveste a sensação que experimento ao ler a obra. Para mim, um dos livros mais inesquecíveis que já li.
Arrebatador, como você mesma disse. Obrigada pela visita.
Bjs