
Sempre que vou às livrarias vou à sessão de livros importados. Uma ótima oportunidade de encontrar autores não publicados aqui; sem contar que se pode obter originais a preços muito mais baratos. Numa dessas incertas, deparei-me com
Kiss me Annabel. Achei o título uma fofura. Taí…uma súplica de um homem motivado pelo desejo, paixão, amor ou o que quer que seja de romântico. Quem seria esse homem? Quem seria Annabel? A partir da imaginação, sem nem mesmo folhear o livro, comecei a lê-lo. Não é interessante como apenas um título ou uma capa nos remete à leituras outras que não as traçadas pela mente do autor? Bem, isso é questão para outro post.
Voltando a meu primeiro encontro com o livro mencionado:
Impelida pela curiosidade, li a sinopse. Achei-a inusitada. De cara me era apresentada uma lista de regras de casamento segundo Annabel Essex. Hummm, agora, além das regras para um bom matrimônio, ela tem um sobrenome. Interessante, pensei. A sinopse é justamente essa que segue abaixo:
Um marido deve ser:
RICO.
Leia-se muito rico. Ela possui somente um teto mal provido do necessário e poucas roupas gastas.
INGLÊS.
Londres é o centro da civilização mundial, e Annabel tem uma inclinação apaixonada por sedas e banhos quentes.
CORDIAL.
Boa aparência é bom, porem não é o mais importante. O mesmo vale para inteligência.
E não é que ela tem sorte? Ela encontrou o cara. E o marido eleito é ninguém mais do que o paupérrimo escocês Conde de Ardmore, que nada tem a não ser olhos divinamente belos, inteligência e excelentes beijos para recomendá-lo.
Que cruel guinada do destino foi essa que a colocou numa carruagem rumo a Escócia em companhia justamente do conde paupérrimo fazendo com que, além disso, todos pensassem que eles eram marido e mulher? E dividissem a mesma cama? Sem mencionar o jogo de palavras inventadas pelo conde cujo prêmio eram beijos. E a prenda…Bem. Eles estavam quase casados mesmo!

À primeira vista, a história pode até parecer fútil, assim como a primeira impressão que tive de Annabel, a mocinha. Mas, o tempo todo foram-me reveladas camadas diferentes, complexas e incongruentes de Annabel, demonstrando-me que as aparências enganam.
Essa sua sanha em mudar de vida e tentar construir um destino ao lado de um homem rico acompanhou-a desde sua tenra infância. Não era cobiça e sim medo de não suportar mais a vida penosa de onde advinha a fome, a míseria, a doença. Quando ela conhece Ardmore, tudo o que ela faz é desmerecer-se aos olhos dele a fim de que ele a rechaçe e saia em busca uma esposa rica para si. Annabel não é movida por um sentimento mesquinho. Ela apenas solidariza-se com Ardmore e entende que para ele seria bem melhor ter títulos e riquezas do que envergar um título nobre que não lhe traria a benesse de ter mesa farta e dias auspiciosos. No entanto… logo ele, a persona contrária a todos os requisitos que formulara, foi o homem por quem se apaixonou. História engraçadinha, bonitinha, fofurinha. Eu gostei.
Como ela vai parar rumo à escócia para casar-se com paupérrimo conde? È o tempero da história que tem o dedo, ou melhor, alma, espírito e corpo inteiro da irmã de Annabel, Imogen. Só posso contar que Annabel e Ardmore sob o peso das regras sociais da época devem reparar um escândalo.
Eloisa james revela que baseou-se em Megera Domada de Shakeaspeare. Não que Annabel fosse megera, ela assevera. A inspiração se justifica em um dado momento da história em que Ewan (Conde de Ardmore) e Annabell estão isolados em um casebre pobre, testados pela miséria e frustração. Essa parte é bem divertida. Quem sairá aprovado desse teste? Ewan ou Annabel?
Eu realmente gostei de Annabel. Apreciei sua honestidade em dizer que se casaria por dinheiro porque ela sabia o que era ser pobre. Decisão prática. Depois o destino veio-lhe mostrar realmente a maior riqueza que um bom casamento poderia lhe dar.
Eloisa James não é bem apreciada pelos leitores. Eu optei por ir na contracorrente e encarar a leitura. E não me decepcionei. James é muito bom em testar a trama, você pensa que os fatos já estão decididos e então, mudam de direção. Ela não opta pelo óbvio. Um exemplo? A surpresa gerada pelos improváveis desenlaces amorosos de Imogen e Josephine, duas das Essex.
Kiss me Annabel é o segundo livro da Série Essex Sisters. Série? Pois é, não há como livrar-me dessas sequelas. A série é inspirada na obra “As mulherzinhas“, isto é, James escreveu uma trama sobre os laços de amor existentes entre irmãs. As quatro irmãs Essex tornam-se orfãs e têm de ir para Londres para ficar sob tutela de seu novo guardião, o Duque de Holbrook. A partir daí, passamos acompanhar a trajetória de cada uma nos seguintes livros da série:
1 - Much ado about you – Conta a história da Essex mais velha: Tess. Seu partner, Lucious Felton – Conde de Barnett.
2 – Kiss me Annabell
3 – The taming of The Duke – Pasmem! Imogen, viúva de Lord Maitland, casa com Rafe. Bem, quem leu Kiss me Annabel sabe do que estou falando. Esses dois!!!
4) Pleasure for pleasure – Essa é a história das mais novas das Essex, Josephine. Fiquei passada com sua alma gêmea, ninguém mais ninguém menos que o Conde de Mayne, Garret Langham.
O legal da série é que nos primeiros livros já temos contato com os personagens que protagonizarão as histórias subseqüentes.
Fiquei bastante envolvida com a escrita de Eloisa James. Tanto é que já vou já caçar a seqüências.
Ah! Altamente recomendado.
Amiga, essa série realmente parece ser ótima.
Achei na internet o ebook da história de Tess (o 1º livro da serie) só que em espanhol. Se quiser depois me dá um toque…eu envio para vc!
bjs
Lili
Lili, querida
Eu quero sim. Se gostar, claro, vou comprar para ter a coleção completa. Obrigada!;)